UM ÁLBUM: THE GLASGOW SCHOOL – ORANGE JUICE (1984, REEDITADO EM 2005)
Planeara revisitá-lo a 6 de Maio, dia do primeiro aniversário da sua morte. Os meus ouvidos distraíram-se e ocuparam-se de outros assuntos. Não há problema. As datas de qualquer morte não fariam mal em desaparecer do meu calendário.
Grant Mclennan morreu durante o sono, de ataque cardíaco, na sua casa em Brisbane, na Austrália. Tinha 48 anos. Pouco tempo depois, o outro fundador e compositor dos The Go-Betweens, Robert Forster, anunciou a inevitável morte da banda.
Foi em Brisbane, na Austrália, que nasceram, renasceram e duas vezes morreram os The Go-Betweens. Quando o fim foi anunciado, em 1989, poucos pensaram num hipotético regresso. Talvez mais tarde, como fazem outros, talvez mais tarde se juntassem para dar uns concertos…
Nunca vi os The Go-Betweens ao vivo. Um grande lapso na minha colecção de bilhetes. Oportunidades não faltaram. Actuaram em Portugal algumas vezes. Acreditei que voltassem, como se a Austrália estivesse a um passo. Eis uma regra para os concertos de quem gosto: nunca pensar que os vejo da próxima vez que cá vierem. Posso ter que esperar até não ter idade.
Após a separação da banda, Grant Mclennan colaborou nalguns projectos e lançou quatro álbuns a solo:
Watershed (1991)
Fireboy (1994)
Horsebraker star (1995)
In your bright ray (1997)
Surpreendentemente, os The Go-Betweens regressaram, e em grande forma. Reencontraram-se em 2000 para editar “The friends of Rachel Worth” (2000), “Bright yellow, bright orange” (2003) e o excelente “Oceans apart” (2005).
Começaram em 1977. O primeiro álbum, semi-oficial (reeditado em 2002), intitulou-se Very Quick On The Eye. Seguiram-se-lhe:
Send me a lullaby (1982)
Before Hollywood (1983)
Spring hill fair (1984)
Liberty Belle and the Black Diamond Express (1986)
Tallulah (1987)
16 Lovers lane (1988)
“Bye bye pride” faz parte de “Tallulah”:
Pelo meio, algumas compilações e um The Peel Sessions EP, em 1988.
Há uns tempos atrás não seria impossível chocar com Grant Mclennan numa rua de Brisbane. Hoje choca-se com a sua memória. O que não é pouco.
P:S. “Dive for your memory” é a última música de 16 lovers lane.
16/05/07
11/05/07
É sexta, e quando sair daqui vou cortar o cabelo
UM ÁLBUM: HISSING FAUNA, ARE YOU THE DESTROYER? – OF MONTREAL (2007)
É uma decisão que não interessa a ninguém e, pensando bem, não sei se estou assim tão precisado. Foi mais um pretexto para relembrar os Pavement, que ainda não tinham aparecido neste blog. Vão aparecer mais vezes. Não é uma falha, porque aqui quase só escrevo sobre o que gosto e os nomes surgem aleatoriamente. E, numa altura em que tantas bandas se reagrupam para ganhar uns trocos, estes senhores também podiam fazer o jeitinho.
É uma decisão que não interessa a ninguém e, pensando bem, não sei se estou assim tão precisado. Foi mais um pretexto para relembrar os Pavement, que ainda não tinham aparecido neste blog. Vão aparecer mais vezes. Não é uma falha, porque aqui quase só escrevo sobre o que gosto e os nomes surgem aleatoriamente. E, numa altura em que tantas bandas se reagrupam para ganhar uns trocos, estes senhores também podiam fazer o jeitinho.
04/05/07
This one’s for you
UM CONCERTO: NEW ORDER, NO SUPER BOCK SUPER ROCK (28/05/2005), E HOJE FOI CADA UM À SUA VIDA
Nos meus ouvidos existe um armazém onde músicas como esta não se desgastam nem envelhecem. Estão associadas a pessoas especiais e de vez em quando vou lá buscá-las. Depois reponho-as nas prateleiras, com muito cuidado, e assim se conservam para sempre. “This one’s for you” é de Ed Harcourt, é um pouco minha e é um pouco tua.
São só 15 dias e Bona até tem um nome parecido com Lisbonne (é uma private joke a fazer lembrar o vosso francês perfeito). Vais ver que não dói. Daqui a bocado já te vamos buscar ao aeroporto.
Nos meus ouvidos existe um armazém onde músicas como esta não se desgastam nem envelhecem. Estão associadas a pessoas especiais e de vez em quando vou lá buscá-las. Depois reponho-as nas prateleiras, com muito cuidado, e assim se conservam para sempre. “This one’s for you” é de Ed Harcourt, é um pouco minha e é um pouco tua.
São só 15 dias e Bona até tem um nome parecido com Lisbonne (é uma private joke a fazer lembrar o vosso francês perfeito). Vais ver que não dói. Daqui a bocado já te vamos buscar ao aeroporto.
26/04/07
Wimbledon 26499
UMA MÚSICA: SILENT AIR – THE SOUND
Manhã de domingo de 26 de Abril de 1999. O dia acabava de acordar. Um homem atira-se para a frente de um comboio na estação de metro de Wimbledon, em Londres. Perdia-se uma vida. Provavelmente uma vida desconhecida para os que lá estavam, mas não para mim. Nem para milhares de desconhecidos, como eu.
Adrian Borland estava a terminar as gravações do álbum “Harmony and Destruction”. Mostrava algum entusiamo e orgulho na gravação deste disco, que sucederia a “5:00”, editado em 1997. No entanto, estava doente. A depressão em que vivia há mais de uma década teve o seu epílogo nessa manhã. Durante a madrugada, foi encontrado num restaurante perto de Kennington, confuso, ouvindo vozes...Foi transportado para casa dos pais pela polícia. Voltaria a desaparecer mais tarde, e o resto já se sabe. Tinha 41 anos.
Para além dos referidos discos, e da edição a título póstumo de “The last days of the rain machine” (2002), “Harmony and Destruction” (2002) e do recentíssimo “The Amsterdam Tapes” (2006), Adrian Borland gravou outros álbuns a solo:
Alexandria (1989)
Brittle Heaven (1992)
Beautiful Ammunition (1994)
Cinematic (1995)
Em 1987, criou os Hononulu Mountain Daffodils; o vocalista, ele próprio, tinha o divertido pseudónimo de Joachim Pimento. Saíram, como álbuns oficiais, “Guitars of the oceanic overgrowth” (1987), “Tequilla dementia” (1988) e “Aloha Sayonara” (1991).
Com o projecto White Rose Transmission, de que faziam parte, entre outros, o seu amigo Carlo van Putten e um ilustre admirador da sua obra, Mark Burgess, a quem obrigatoriamente voltarei (ou não se tratasse do líder de uns tais The Chameleons), tinha acabado de lançar “700 miles of desert”, que sucedia a “WRT”, de 1995.
(Enquanto escrevo este texto, aparece-me aos ouvidos Rougue Beauty de “Alexandria”, perdido entre as compilações que me entretêm o tempo...como se eu acreditasse nestas estranhas coincidências)
Estava prevista uma digressão acústica dos White Rose Transmission para Maio de 1999, que, como era óbvio, não poderia realizar-se sem Adrian Borland. Mas realizou-se, em jeito de tributo. Com muitas músicas dos The Sound.
Como alguém disse uma vez, e fixei estas palavras, a mais famosa banda desconhecida de todos os tempos. Os The Sound são uma das minhas três bandas de sempre (as outras duas ficam para mais daqui a bocado). Não foram, são. Significam-me muito, pela música e pelas letras.
“From the lions mouth”, de 1981, é a minha melhor receita de sempre para a surdez. “Propaganda” (sessão de estúdio de 1979, editado em 1999), “Jeopardy” (1980) e “All fall down” (1982) impedem o seu avanço, se ouvidos, pelo menos, duas vezes por mês. “Shock of daylight”, EP de 1984, é o vinil que os meus ouvidos mais veneram. “Heads and hearts” (1985) revitaliza o ouvido direito, “Thunder up” (1987) apura o ouvido esquerdo. As vitaminas devem ser tomadas em doses pouco moderadas: “In the hothouse” (1986), “The BBC recordings” e os cinco volumes das “Dutch radio recordings”. Tenho quase todos os medicamentos cá em casa e nenhum está fora de prazo. A audição exagerada é aconselhável e não existem contra-indicações.
Graham Green, Michael Dudley, Benita “Bi” Marshall, substituída em 1981 por Colvin “Max” Mayers (desaparecido em 1993), são os outros nomes dos The Sound. No início de uma digressão, em 1987, começaram a surgir os primeiros (ou os últimos?) sintomas da doença de Adrian Borland. A digressão foi cancelada. A banda dissolveu-se.
Em “sense of purpose”, de “From the lions mouth”, escreveu: “I’ll take my life into my own hands…I’m the one that I will blame”.
Em Setembro deste ano, quando for a Londres pela primeira vez, vou parar na estação de Wimbledon. Não vou pôr flores. Não vou ter pressa. Não vou dizer nada, porque o silêncio, eu sei, fala mais alto do que as palavras. Vou esperar, apenas, pelo próximo comboio.
P.S. - Os The Sound tocaram em Lisboa, no Rock Rendez Vous, a 12 e 13 de Julho de 1984. Existem alguns videos de Adrian Borland e dos The Sound disponíveis no youtube.
Manhã de domingo de 26 de Abril de 1999. O dia acabava de acordar. Um homem atira-se para a frente de um comboio na estação de metro de Wimbledon, em Londres. Perdia-se uma vida. Provavelmente uma vida desconhecida para os que lá estavam, mas não para mim. Nem para milhares de desconhecidos, como eu.
Adrian Borland estava a terminar as gravações do álbum “Harmony and Destruction”. Mostrava algum entusiamo e orgulho na gravação deste disco, que sucederia a “5:00”, editado em 1997. No entanto, estava doente. A depressão em que vivia há mais de uma década teve o seu epílogo nessa manhã. Durante a madrugada, foi encontrado num restaurante perto de Kennington, confuso, ouvindo vozes...Foi transportado para casa dos pais pela polícia. Voltaria a desaparecer mais tarde, e o resto já se sabe. Tinha 41 anos.
Para além dos referidos discos, e da edição a título póstumo de “The last days of the rain machine” (2002), “Harmony and Destruction” (2002) e do recentíssimo “The Amsterdam Tapes” (2006), Adrian Borland gravou outros álbuns a solo:
Alexandria (1989)
Brittle Heaven (1992)
Beautiful Ammunition (1994)
Cinematic (1995)
Em 1987, criou os Hononulu Mountain Daffodils; o vocalista, ele próprio, tinha o divertido pseudónimo de Joachim Pimento. Saíram, como álbuns oficiais, “Guitars of the oceanic overgrowth” (1987), “Tequilla dementia” (1988) e “Aloha Sayonara” (1991).
Com o projecto White Rose Transmission, de que faziam parte, entre outros, o seu amigo Carlo van Putten e um ilustre admirador da sua obra, Mark Burgess, a quem obrigatoriamente voltarei (ou não se tratasse do líder de uns tais The Chameleons), tinha acabado de lançar “700 miles of desert”, que sucedia a “WRT”, de 1995.
(Enquanto escrevo este texto, aparece-me aos ouvidos Rougue Beauty de “Alexandria”, perdido entre as compilações que me entretêm o tempo...como se eu acreditasse nestas estranhas coincidências)
Estava prevista uma digressão acústica dos White Rose Transmission para Maio de 1999, que, como era óbvio, não poderia realizar-se sem Adrian Borland. Mas realizou-se, em jeito de tributo. Com muitas músicas dos The Sound.
Como alguém disse uma vez, e fixei estas palavras, a mais famosa banda desconhecida de todos os tempos. Os The Sound são uma das minhas três bandas de sempre (as outras duas ficam para mais daqui a bocado). Não foram, são. Significam-me muito, pela música e pelas letras.
“From the lions mouth”, de 1981, é a minha melhor receita de sempre para a surdez. “Propaganda” (sessão de estúdio de 1979, editado em 1999), “Jeopardy” (1980) e “All fall down” (1982) impedem o seu avanço, se ouvidos, pelo menos, duas vezes por mês. “Shock of daylight”, EP de 1984, é o vinil que os meus ouvidos mais veneram. “Heads and hearts” (1985) revitaliza o ouvido direito, “Thunder up” (1987) apura o ouvido esquerdo. As vitaminas devem ser tomadas em doses pouco moderadas: “In the hothouse” (1986), “The BBC recordings” e os cinco volumes das “Dutch radio recordings”. Tenho quase todos os medicamentos cá em casa e nenhum está fora de prazo. A audição exagerada é aconselhável e não existem contra-indicações.
Graham Green, Michael Dudley, Benita “Bi” Marshall, substituída em 1981 por Colvin “Max” Mayers (desaparecido em 1993), são os outros nomes dos The Sound. No início de uma digressão, em 1987, começaram a surgir os primeiros (ou os últimos?) sintomas da doença de Adrian Borland. A digressão foi cancelada. A banda dissolveu-se.
Em “sense of purpose”, de “From the lions mouth”, escreveu: “I’ll take my life into my own hands…I’m the one that I will blame”.
Em Setembro deste ano, quando for a Londres pela primeira vez, vou parar na estação de Wimbledon. Não vou pôr flores. Não vou ter pressa. Não vou dizer nada, porque o silêncio, eu sei, fala mais alto do que as palavras. Vou esperar, apenas, pelo próximo comboio.
P.S. - Os The Sound tocaram em Lisboa, no Rock Rendez Vous, a 12 e 13 de Julho de 1984. Existem alguns videos de Adrian Borland e dos The Sound disponíveis no youtube.
21/04/07
Antes que a tarde de sábado seja de noite
UM ÁLBUM: BRETT ANDERSON - BRETT ANDERSON (2007)
Gosto das soalheiras tardes de sábado sem planos. E de saber que o tempo que passa não é da minha conta. De quase congelar uma cerveja para as goelas descongelarem. De abrir o livro na página em que o marquei ontem, sabendo que daqui a umas horas se fecha na mesma página. De ouvir "saturday night", dos Suede, que até me cai melhor antes da queda da noite.
Gosto das soalheiras tardes de sábado sem planos. E de saber que o tempo que passa não é da minha conta. De quase congelar uma cerveja para as goelas descongelarem. De abrir o livro na página em que o marquei ontem, sabendo que daqui a umas horas se fecha na mesma página. De ouvir "saturday night", dos Suede, que até me cai melhor antes da queda da noite.
18/04/07
...And you will know us by the trail of dead
UM ÁLBUM: PEASANTS, PIGS & ASTRONAUTS – KULA SHAKER (1999)
Se as capas dos álbuns vendessem, seriam quase de certeza um caso de sucesso. São todas excelentes, inclusive as dos ep’s. Têm a autoria de Conrad Kelly e um colaborador seu de longa data, James Olsen. No entanto, não me seduziram pelas capas, mas sim pela música. Deles pouco se fala. Fizeram de propósito. Escolheram um nome que custa pronunciar e que ocupa espaço.
Acompanho, com quase devoção, os …And You Will Know us By The Trail of Dead desde que comprei “Madonna”, em 1999. Seguramente não sou o único e outros reconhecem no citado álbum e em “Source, Tags & Codes” (2002) duas das grandes obras da música independente dos últimos tempos. Another morning stoner é uma das melhores músicas de sempre a alcançar-me os ouvidos.
“World’s Apart”, de 2005 e “So Divided” de 2006 não são de fácil digestão para quem conhece a discografia anterior do grupo. Neste último, a diferença de sonoridade é notória e recebe críticas bem menos favoráveis. Não é que desgoste, mas também prefiro os primeiros álbuns.
Aliás, “So Divided” coincide com o aparecimento de rumores que apontavam para a dissolução. O título do álbum também não parecia inocente. Contudo, Conrad Kelly descansa-nos com um texto publicado no site oficial:
“I've been getting a lot of people asking me are the rumors true, is ...Trail of Dead going to break up? Yes, it's true, the band will break up, eventually. Unless they can find a drug that will keep us alive forever, like the one Keith Richards takes (I believe you have to snort dead people's ashes). Are we breaking up anytime soon? No. Sorry to disappoint you. That means, for all those people who've asked for our autographs, they won't be worth anything for a long time yet, so keep your day job.”
Afinal, eles vivem.
Se as capas dos álbuns vendessem, seriam quase de certeza um caso de sucesso. São todas excelentes, inclusive as dos ep’s. Têm a autoria de Conrad Kelly e um colaborador seu de longa data, James Olsen. No entanto, não me seduziram pelas capas, mas sim pela música. Deles pouco se fala. Fizeram de propósito. Escolheram um nome que custa pronunciar e que ocupa espaço.Acompanho, com quase devoção, os …And You Will Know us By The Trail of Dead desde que comprei “Madonna”, em 1999. Seguramente não sou o único e outros reconhecem no citado álbum e em “Source, Tags & Codes” (2002) duas das grandes obras da música independente dos últimos tempos. Another morning stoner é uma das melhores músicas de sempre a alcançar-me os ouvidos.
Austin, que já visitei neste blog, é a cidade que os viu nascer. Conrad Keely e Jason Reece são os líderes da banda: alternam a voz, a guitarra e a bateria, nos discos e nos concertos. O primeiro álbum, homónimo, foi editado em 1998. Em Abril de 2003 surge o EP “The Secret of Elena’s Tomb”.
O tema “mistakes & regrets” faz parte de “Source, Tags & Codes” e aqui interpretam-no ao vivo num concerto em Graceland, em 2006.
“World’s Apart”, de 2005 e “So Divided” de 2006 não são de fácil digestão para quem conhece a discografia anterior do grupo. Neste último, a diferença de sonoridade é notória e recebe críticas bem menos favoráveis. Não é que desgoste, mas também prefiro os primeiros álbuns.Aliás, “So Divided” coincide com o aparecimento de rumores que apontavam para a dissolução. O título do álbum também não parecia inocente. Contudo, Conrad Kelly descansa-nos com um texto publicado no site oficial:
“I've been getting a lot of people asking me are the rumors true, is ...Trail of Dead going to break up? Yes, it's true, the band will break up, eventually. Unless they can find a drug that will keep us alive forever, like the one Keith Richards takes (I believe you have to snort dead people's ashes). Are we breaking up anytime soon? No. Sorry to disappoint you. That means, for all those people who've asked for our autographs, they won't be worth anything for a long time yet, so keep your day job.”
Afinal, eles vivem.
14/04/07
O verdadeiro Artista Espacial
Uma Triologia: Star Wars (Ep.IV a VI)
E que a foça esteja convosco no fim de semana.
E que a foça esteja convosco no fim de semana.
12/04/07
Teach me how to fight
UM ÁLBUM: UNIVERSAL AUDIO - THE DELGADOS (2004)
Apetece-me muito não escrever sobre este tema do primeiro álbum dos Junior Boys. Por um instante, não quero estar um pouco surdo para ficar um pouco mudo.
Apetece-me muito não escrever sobre este tema do primeiro álbum dos Junior Boys. Por um instante, não quero estar um pouco surdo para ficar um pouco mudo.
11/04/07
Hoje transformei-te em música
UM CONCERTO: GOLDFRAPP, NO COLISEU DOS RECREIOS (08/06/2003)
Desta vez comecei pelo fim. Com a música a que te quero associar. Porque “utopia” é uma das poucas canções que não me arrepia apenas os ouvidos. Arrepia-me o corpo todo e os corpos circundantes.
Estive para escolher uma das versões ao vivo disponíveis no youtube, mas melhor do que o original, só aquela que ouvimos no concerto do Coliseu. O meu irmão arranjou dois bilhetes e à última hora não pôde ir. Ou algo parecido. O bilhete a mais voou-me para as mãos e lá rumámos os dois a Goldfrapp. Para um camarote, claro, porque somos finos quando não compramos convites para concertos. Este foi especial, seria pela companhia?
É verdade que não nos vemos com muita frequência. Falamos em FM (Frequência Moderada). Não há pressas nem obrigações. Admiro-te sempre pela frescura que preservas, pela atitude e pelo sorriso. Isto não é uma declaração de amor (antes que me chames tarado)…é uma declaração de amizade, que assinámos há muitos anos, e tem duração vitalícia. Parabéns e até já, numa esplanada à beira-rio.
Desta vez comecei pelo fim. Com a música a que te quero associar. Porque “utopia” é uma das poucas canções que não me arrepia apenas os ouvidos. Arrepia-me o corpo todo e os corpos circundantes.
Estive para escolher uma das versões ao vivo disponíveis no youtube, mas melhor do que o original, só aquela que ouvimos no concerto do Coliseu. O meu irmão arranjou dois bilhetes e à última hora não pôde ir. Ou algo parecido. O bilhete a mais voou-me para as mãos e lá rumámos os dois a Goldfrapp. Para um camarote, claro, porque somos finos quando não compramos convites para concertos. Este foi especial, seria pela companhia?
É verdade que não nos vemos com muita frequência. Falamos em FM (Frequência Moderada). Não há pressas nem obrigações. Admiro-te sempre pela frescura que preservas, pela atitude e pelo sorriso. Isto não é uma declaração de amor (antes que me chames tarado)…é uma declaração de amizade, que assinámos há muitos anos, e tem duração vitalícia. Parabéns e até já, numa esplanada à beira-rio.
06/04/07
Mais um surdo que nem uma porta
UM ÁLBUM: ELASTICA - ELASTICA (1995)
A partir de hoje, o blog tem mais um surdo. Hã? Um surdo. Tem um histórico suspeito, em termos musicais. Mas dispõe de tantos conhecimentos como os outros dois surdos. Ou seja, nenhuns. Estamos a tentar melhorar. Mais vale sermos surdos e fingirmos que ouvimos boa música, do que manetas e não conseguirmos pôr um cd no leitor. Fico à espera do teu post sobre Motorhead. És muito bem-vindo.
A partir de hoje, o blog tem mais um surdo. Hã? Um surdo. Tem um histórico suspeito, em termos musicais. Mas dispõe de tantos conhecimentos como os outros dois surdos. Ou seja, nenhuns. Estamos a tentar melhorar. Mais vale sermos surdos e fingirmos que ouvimos boa música, do que manetas e não conseguirmos pôr um cd no leitor. Fico à espera do teu post sobre Motorhead. És muito bem-vindo.
Lodos de quinta-feira
UMA MÚSICA: A MAN NEEDS TO BE TOLD - THE CHARLATANS
Ainda estou a recuperar. A idade pesa uns gramas e os dias de trabalho não toleram noitadas como dantes. Pensando bem, nunca toleraram. Os Cansei de Ser Sexy não tocaram até às 4 da manhã, mas toquei eu. Curiosamente, o primeiro concerto dos surdos deste blog, desde que o criaram, foi o da banda que lhe deu o nome. E gostámos muito, pois gostámos. Foi estreia em grande, que merecia mais um copo. Portanto, tivemos que prolongar a noite. O retomar de um bom velho mau hábito. Assim mesmo. Eu e o meu amigo JB (por acaso, até nem gosto de whisky) fomos impelidos a ficar na conversa até às tantas. A isso ainda nos obriga a cerveja. Num passado quase distante, obrigou-nos com mais frequência. Calhava quase sempre à quinta-feira. Chamávamos-lhes os lodos de quinta-feira. Eram uma armadilha. Uma festa até ao momento em que acabavam, um quase pesadelo quando o dia de trabalho acordava. O concerto não foi na quinta-feira, mas, como hoje é feriado, foi como se tivesse sido. E não é que este lodo me soube bem? Estamos em forma, graças aos Cansei de Ser Sexy.
P.S. Obrigado pelo bilhete, carneiro
Ainda estou a recuperar. A idade pesa uns gramas e os dias de trabalho não toleram noitadas como dantes. Pensando bem, nunca toleraram. Os Cansei de Ser Sexy não tocaram até às 4 da manhã, mas toquei eu. Curiosamente, o primeiro concerto dos surdos deste blog, desde que o criaram, foi o da banda que lhe deu o nome. E gostámos muito, pois gostámos. Foi estreia em grande, que merecia mais um copo. Portanto, tivemos que prolongar a noite. O retomar de um bom velho mau hábito. Assim mesmo. Eu e o meu amigo JB (por acaso, até nem gosto de whisky) fomos impelidos a ficar na conversa até às tantas. A isso ainda nos obriga a cerveja. Num passado quase distante, obrigou-nos com mais frequência. Calhava quase sempre à quinta-feira. Chamávamos-lhes os lodos de quinta-feira. Eram uma armadilha. Uma festa até ao momento em que acabavam, um quase pesadelo quando o dia de trabalho acordava. O concerto não foi na quinta-feira, mas, como hoje é feriado, foi como se tivesse sido. E não é que este lodo me soube bem? Estamos em forma, graças aos Cansei de Ser Sexy.
P.S. Obrigado pelo bilhete, carneiro
05/04/07
LOVEFOXXX
CANSEI DE SER SEXY - Lux - 4 de Abril de 2007
Ontem voltei ao Lux.
Acho que foi o bilhete para um concerto que comprei com maior antecedência na minha vida (acho que por volta de Janeiro).
Queria vê-las, ouvi-las e sentir que não era só imaginação minha.
Para mim, as CSS foram a banda mais boa onda de 2006 e ontem estive só a alguns metros delas. Eu estava "superafim" de vê-las ao vivo.
Adorei.
Lovefoxxx é realmente uma rock'n'roll Bitch (Desculpa lá Peaches mas perdeste o lugar. Esta miúda bate-te aos pontos)!
Como é que uma mulher tão pequenina tem tanta energia?
Só foi pena não terem tocado o Bezzi e o superafim, mas tocaram uma cover de Pretend Were Dead das L7 que me fez bater o pézinho.
Antes tocaram as Tilly & the wall, banda que achei deveras original.
Estão assim entre a Heidi e o Fred Astaire.
Gostei principlmente da moça que sapateava. Fartou-se de dar pulinhos e encheu-me a vista.
A Gerência agradece.
Momento alto da noite foi o reencontro do fumado com seus amigos bebidos.
A Seguir ao concerto ainda deu direito a uma ou duas bejecas em casa do Rui, na companhia deste e do Jorge.
Rui, gostei muito de ter conhecido a tua casa e embora não tenha estado contigo durante o concerto, foi um final de noite 5 estrelas.
Jorge, Bem-vindo ao blog.
Não se cansem de ser sexys...
Ontem voltei ao Lux.
Acho que foi o bilhete para um concerto que comprei com maior antecedência na minha vida (acho que por volta de Janeiro).
Queria vê-las, ouvi-las e sentir que não era só imaginação minha.
Para mim, as CSS foram a banda mais boa onda de 2006 e ontem estive só a alguns metros delas. Eu estava "superafim" de vê-las ao vivo.
Adorei.
Lovefoxxx é realmente uma rock'n'roll Bitch (Desculpa lá Peaches mas perdeste o lugar. Esta miúda bate-te aos pontos)!
Como é que uma mulher tão pequenina tem tanta energia?
Só foi pena não terem tocado o Bezzi e o superafim, mas tocaram uma cover de Pretend Were Dead das L7 que me fez bater o pézinho.
Antes tocaram as Tilly & the wall, banda que achei deveras original.
Estão assim entre a Heidi e o Fred Astaire.
Gostei principlmente da moça que sapateava. Fartou-se de dar pulinhos e encheu-me a vista.
A Gerência agradece.
Momento alto da noite foi o reencontro do fumado com seus amigos bebidos.
A Seguir ao concerto ainda deu direito a uma ou duas bejecas em casa do Rui, na companhia deste e do Jorge.
Rui, gostei muito de ter conhecido a tua casa e embora não tenha estado contigo durante o concerto, foi um final de noite 5 estrelas.
Jorge, Bem-vindo ao blog.
Não se cansem de ser sexys...
03/04/07
Charles & Peters Cafe
UM CONCERTO: THE PSYCHEDELIC FURS, NO COLISEU DOS RECREIOS (21/09/1991)
Não consigo precisar a idade que tinha quando aquele disco apareceu lá em casa. Talvez tu te recordes melhor do que eu. Pediste ao tio que te trouxesse de Nova Iorque, entre outros, o “Power, corruption and lies”, dos New Order. As minhas preferências musicais começaram a moldar-se por aí. Continuo a ouvir New Order, mas esse álbum, de 1983, é diferente e significa muito mais do que o meu simples gosto por uma banda. Na altura, era eu um puto novo, não imaginava a ligação que tinham com os Joy Division. Fui crescendo e aprendendo, muito mais sobre Joy Division, um pouco menos sobre New Order.
Tempos houve em que chegavas a casa e eu olhava para as tuas mãos. Se estivesse já a dormir, acordava. E se não me levantasse na altura, a primeira coisa que fazia de manhã era vasculhar o saco que trazias. O que procurava eu? Discos, claro. Todas as semanas. Por vezes às carradas. Vindos de um certo lugar. E, assim, fui fazendo as minhas escolhas. No fundo, acabaste por ser tu a alimentar-me o vício. Foste o portador do vírus. Que não me criem uma vacina, porque com esta doença convivo bem, obrigado. E, claro, este obrigado é para ti.
Que me ocorra, nunca assistimos a um concerto juntos. Nunca fizemos muita coisa juntos. Tivemos alguns desatinos, umas discussões, por causa dos nossos feitios diferentes, qual deles o mais especial de corrida. Nada de muito grave. Podemos até não ter, ainda, a melhor relação entre irmãos que existe, mas somos bons amigos. Dúvidas sobre isso? Nenhumas. E dúvidas não tenho que amigos nos manteremos. Estão proibidas mais confusões nesta família.
Para além de ti, existe o outro sócio deste bar. A maior parte das capas de vinil que me percorrem a memória auditiva, têm a mesma proveniência. O tal certo lugar que referi há pouco. Alguns dos discos ouviam-se muito na altura. Outros nem por isso. Era nesses, principalmente, que me fixava. “Sonic flower groove" e nunca os Primal Scream soaram tão diferentes, como ainda tentam soar a cada álbum que fazem. "The greatest story ever told", dos Balaam & The Angel, tão inesquecível que não o encontro em lado nenhum, e os acordes de "slowdown" intrometem-se-me de novo nos ouvidos. Os maxi-singles..."bring on the dancing horses" dos Echo & The Bunnymen, "books on the bonfire" dos Bolshoi, "uncertain smile" dos The The, "idol" dos Flesh For Lulu, "this corrosion" dos Sisters of Mercy...os Lp's, inumeráveis...Na noite de 24 de Dezembro de de mil novecentos e qualquer coisa, o pai natal trouxe uma aparelhagem da moda para pôr na sala. Açambarquei-a logo, e ali fiquei a ouvir os "meus" discos durante quase toda a noite. Ouvi "Darklands" dos The Jesus and Mary Chain umas duas ou vinte vezes seguidas. Era novidade. Mais tarde, o dono do certo lugar começou a gravar-me cassetes de música esquisita, com passagens entre cada música e tudo, era o melhor DJ lá da zona. Formou-se então a minha paixão pelas compilações, que ainda dura, pois dura. O DJ foi-se dedicando a outras músicas, embora, aqui e ali, continuasse a ser requisistado. Aqui, na Costa da Caparica, naquele fim de ano de caixão à cova, enchendo a pista de dança de uma vivenda com o melhor som, mas só até uma determinada hora, porque depois disso já não me lembro de nada. Ali, no moinho em Torres Vedras, alguns anos depois, o "1979" dos Smashing Pumpkins e uma cadeira a pregar-me uma rasteira. Os copos partem-se, mas a música continua, e continua, e continua...
Parabéns aos dois, obrigado por me terem deixado inventar este espaço. O Charles & Peters Cafe abriu há mais de 20 anos, mas a inauguração fica para amanhã. A primeira música a rodar será "your silent face". A meu pedido...
Não consigo precisar a idade que tinha quando aquele disco apareceu lá em casa. Talvez tu te recordes melhor do que eu. Pediste ao tio que te trouxesse de Nova Iorque, entre outros, o “Power, corruption and lies”, dos New Order. As minhas preferências musicais começaram a moldar-se por aí. Continuo a ouvir New Order, mas esse álbum, de 1983, é diferente e significa muito mais do que o meu simples gosto por uma banda. Na altura, era eu um puto novo, não imaginava a ligação que tinham com os Joy Division. Fui crescendo e aprendendo, muito mais sobre Joy Division, um pouco menos sobre New Order.
Tempos houve em que chegavas a casa e eu olhava para as tuas mãos. Se estivesse já a dormir, acordava. E se não me levantasse na altura, a primeira coisa que fazia de manhã era vasculhar o saco que trazias. O que procurava eu? Discos, claro. Todas as semanas. Por vezes às carradas. Vindos de um certo lugar. E, assim, fui fazendo as minhas escolhas. No fundo, acabaste por ser tu a alimentar-me o vício. Foste o portador do vírus. Que não me criem uma vacina, porque com esta doença convivo bem, obrigado. E, claro, este obrigado é para ti.
Que me ocorra, nunca assistimos a um concerto juntos. Nunca fizemos muita coisa juntos. Tivemos alguns desatinos, umas discussões, por causa dos nossos feitios diferentes, qual deles o mais especial de corrida. Nada de muito grave. Podemos até não ter, ainda, a melhor relação entre irmãos que existe, mas somos bons amigos. Dúvidas sobre isso? Nenhumas. E dúvidas não tenho que amigos nos manteremos. Estão proibidas mais confusões nesta família.
Para além de ti, existe o outro sócio deste bar. A maior parte das capas de vinil que me percorrem a memória auditiva, têm a mesma proveniência. O tal certo lugar que referi há pouco. Alguns dos discos ouviam-se muito na altura. Outros nem por isso. Era nesses, principalmente, que me fixava. “Sonic flower groove" e nunca os Primal Scream soaram tão diferentes, como ainda tentam soar a cada álbum que fazem. "The greatest story ever told", dos Balaam & The Angel, tão inesquecível que não o encontro em lado nenhum, e os acordes de "slowdown" intrometem-se-me de novo nos ouvidos. Os maxi-singles..."bring on the dancing horses" dos Echo & The Bunnymen, "books on the bonfire" dos Bolshoi, "uncertain smile" dos The The, "idol" dos Flesh For Lulu, "this corrosion" dos Sisters of Mercy...os Lp's, inumeráveis...Na noite de 24 de Dezembro de de mil novecentos e qualquer coisa, o pai natal trouxe uma aparelhagem da moda para pôr na sala. Açambarquei-a logo, e ali fiquei a ouvir os "meus" discos durante quase toda a noite. Ouvi "Darklands" dos The Jesus and Mary Chain umas duas ou vinte vezes seguidas. Era novidade. Mais tarde, o dono do certo lugar começou a gravar-me cassetes de música esquisita, com passagens entre cada música e tudo, era o melhor DJ lá da zona. Formou-se então a minha paixão pelas compilações, que ainda dura, pois dura. O DJ foi-se dedicando a outras músicas, embora, aqui e ali, continuasse a ser requisistado. Aqui, na Costa da Caparica, naquele fim de ano de caixão à cova, enchendo a pista de dança de uma vivenda com o melhor som, mas só até uma determinada hora, porque depois disso já não me lembro de nada. Ali, no moinho em Torres Vedras, alguns anos depois, o "1979" dos Smashing Pumpkins e uma cadeira a pregar-me uma rasteira. Os copos partem-se, mas a música continua, e continua, e continua...
Parabéns aos dois, obrigado por me terem deixado inventar este espaço. O Charles & Peters Cafe abriu há mais de 20 anos, mas a inauguração fica para amanhã. A primeira música a rodar será "your silent face". A meu pedido...
30/03/07
Os meus ouvidos encerram temporariamente para descanso do pessoal
UMA MÚSICA: C'MON, C'MON – THE VON BONDIES
Pego nas bicicletas do post anterior, e vou ver se a minha ainda está na arrecadação…Receio que tenha fugido. Recebi algumas ameaças nos últimos dias. Porque não fiz nada de mal. Permiti que o meu carro fosse assaltado, e agora estou a pagar por isso…Assaltaram-me também a mente. Parece-me que esta semana esteve toda às avessas. Ou então foi a minha cabeça. Que agora está confusa. Hoje não quero ouvir mais música. Já tinha desligado a televisão. Agora desligo a aparelhagem. Desligo o computador. Desligo-me.
Pego nas bicicletas do post anterior, e vou ver se a minha ainda está na arrecadação…Receio que tenha fugido. Recebi algumas ameaças nos últimos dias. Porque não fiz nada de mal. Permiti que o meu carro fosse assaltado, e agora estou a pagar por isso…Assaltaram-me também a mente. Parece-me que esta semana esteve toda às avessas. Ou então foi a minha cabeça. Que agora está confusa. Hoje não quero ouvir mais música. Já tinha desligado a televisão. Agora desligo a aparelhagem. Desligo o computador. Desligo-me.
The Frames
UM ÁLBUM: NEON GOLDEN - THE NOTWIST (2003)
Está um senhor de óculos escuros e blusão e calças de cabedal a gemer na televisão. Mudo rapidamente de canal. De repente, a maior exportação musical irlandesa desperta-me sentimentos de aversão. A mistura dos três últimos álbuns com a exposição maciça e sistemática dos membros da banda, e dos seus êxitos, acabou por enjoar-me os ouvidos. E estes, mesmo que pouco exigentes, têm dificuldade em tolerar exageros. Gosto de U2? Não sei. Já gostei. Amanhã volto a gostar. Ou talvez não.
Mas os ventos que sopram da Irlanda não trazem apenas U2, embora às vezes pareça que sim.
Por agora, gosto muito de coisas como os The Frames, que também nasceram em Dublin. The cost vai ser, provavelmente, um dos melhores álbuns esquecidos deste ano, apesar de ter sido editado na Irlanda em Setembro de 2006. Para o resto do mundo saiu em Fevereiro de 2007.
A banda existe desde 1990, e o nome provem de um hábito que o vocalista, Glen Hansard, tinha quando era novo: reparar as bicicletas de muitos dos seus amigos. O seu quintal enchia-se de quadros de bicicletas, e a casa onde morava passou a ser conhecida por “The frames house”.
Antes de The cost, editaram os seguintes álbuns:
Another love song (1991) - apenas disponível para download no itunes e para audição no site da banda, que está mesmo aqui ao lado.
Fitzcarraldo (1995) e uma nova versão do mesmo álbum em 1996, ambos publicados sob o “pseudónimo” de The Frames DC, que adoptaram temporariamente, para evitar confusões com uma banda americana que tinha o mesmo nome.
Dance the devil (1999)
For the birds (2001)
Burn the maps (2004)
Lançaram também dois álbuns ao vivo. Fitzcarraldo e The Cost são os que prefiro. Mas o resto vale-me a pena. “Headlong” faz parte de For the birds:
Aqui interpretam ao vivo “keepsake”, de Burn the Maps:
O homem dos óculos escuros aparece noutro canal. Procuro o botão off do comando. Às vezes os sons e as imagens da minha televisão são mais agradáveis quando ela está desligada.
Está um senhor de óculos escuros e blusão e calças de cabedal a gemer na televisão. Mudo rapidamente de canal. De repente, a maior exportação musical irlandesa desperta-me sentimentos de aversão. A mistura dos três últimos álbuns com a exposição maciça e sistemática dos membros da banda, e dos seus êxitos, acabou por enjoar-me os ouvidos. E estes, mesmo que pouco exigentes, têm dificuldade em tolerar exageros. Gosto de U2? Não sei. Já gostei. Amanhã volto a gostar. Ou talvez não.
Mas os ventos que sopram da Irlanda não trazem apenas U2, embora às vezes pareça que sim.
Por agora, gosto muito de coisas como os The Frames, que também nasceram em Dublin. The cost vai ser, provavelmente, um dos melhores álbuns esquecidos deste ano, apesar de ter sido editado na Irlanda em Setembro de 2006. Para o resto do mundo saiu em Fevereiro de 2007.
A banda existe desde 1990, e o nome provem de um hábito que o vocalista, Glen Hansard, tinha quando era novo: reparar as bicicletas de muitos dos seus amigos. O seu quintal enchia-se de quadros de bicicletas, e a casa onde morava passou a ser conhecida por “The frames house”.
Antes de The cost, editaram os seguintes álbuns:
Another love song (1991) - apenas disponível para download no itunes e para audição no site da banda, que está mesmo aqui ao lado.
Fitzcarraldo (1995) e uma nova versão do mesmo álbum em 1996, ambos publicados sob o “pseudónimo” de The Frames DC, que adoptaram temporariamente, para evitar confusões com uma banda americana que tinha o mesmo nome.
Dance the devil (1999)
For the birds (2001)
Burn the maps (2004)
Lançaram também dois álbuns ao vivo. Fitzcarraldo e The Cost são os que prefiro. Mas o resto vale-me a pena. “Headlong” faz parte de For the birds:
Aqui interpretam ao vivo “keepsake”, de Burn the Maps:
O homem dos óculos escuros aparece noutro canal. Procuro o botão off do comando. Às vezes os sons e as imagens da minha televisão são mais agradáveis quando ela está desligada.
29/03/07
No cars Go
UM CONCERTO? UM QUALQUER, DE CABEÇA CHEIA COM O RUI E COM O JORGE (PUTA DE SAUDADES)
Querido Blog. Voltei!
Ontem recebi uma carta do Banco.
O Empréstimo da puta da casa aumentou cerca de 100€.
O Emprego, continua no mesmo sítio, a mesma merda, o mesmo ordenado.
Os Putos têm saúde. A companheira continua chata. Eu continuo sem pacência.
O País continua na mesma, mas está pior.
O Cão continua feliz quando chego a casa.
FODAM-SE VOCÊS TODOS!!! TOU FARTO!!!
Quero ir para este lugar onde não vão carros....
Querido Blog. Voltei!
Ontem recebi uma carta do Banco.
O Empréstimo da puta da casa aumentou cerca de 100€.
O Emprego, continua no mesmo sítio, a mesma merda, o mesmo ordenado.
Os Putos têm saúde. A companheira continua chata. Eu continuo sem pacência.
O País continua na mesma, mas está pior.
O Cão continua feliz quando chego a casa.
FODAM-SE VOCÊS TODOS!!! TOU FARTO!!!
Quero ir para este lugar onde não vão carros....
25/03/07
Austin, 2008
UM CONCERTO: DEVENDRA BANHART, NA AULA MAGNA (12/11/2005)
A cobertura da Radar ao South by Southwest deste ano aguçou-me o apetite. Este festival realiza-se em Março, todos os anos, desde 1987, e põe Austin em festa. Não se trata exclusivamente de um evento de música, mas é de música que aqui se trata. Este ano registaram-se mais de 1400 actuações ao vivo, entre artistas já consagrados, alguns a despontar e vários desconhecidos, muitos deles oriundos de países diferentes. Para os que adquirem bilhetes, é uma oportunidade de assistir de perto a inúmeros concertos.
Não resisto à colagem de alguns momentos da edição deste ano. Quem parece que mais deu nas vistas, por razões óbvias, foi a vocalista dos norte-americanos The Gossip, Beth Ditto. Surpreendeu o público com um strip quase integral. As imagens estão disponíveis no you tube, mas como a qualidade não é grande coisa, fica um excerto de outra actuação dos The Gossip no mesmo festival.
No ano que marca o regresso dos The Stooges, com The weirdness, que já cá canta, Iggy Pop continua igual a si próprio.
E, finalmente, os Architecture in Helsinki com “do the whirlwind”:
E houve muito, muito mais.
Vou ponderar a possibilidade de passar por lá no próximo ano. Estive para voltar ao Texas este ano, mas em princípio a hipótese está posta de parte. Alojamento em Austin é garantido. Regresso ao verão de 1993. Passei uma boa temporada em San Antonio, que deu para quase tudo, até para tirar a carta de condução. O tempo que lá permaneci dava para conhecer o Texas e os arredores e os arredores dos arredores. Infelizmente, não conheci Austin, que por acaso até é a capital do estado.
Tenho motivos para lá voltar. E agora tenho mais um. Vou procurar o meu chapéu de cowboy. Austin aqui vou eu.
A cobertura da Radar ao South by Southwest deste ano aguçou-me o apetite. Este festival realiza-se em Março, todos os anos, desde 1987, e põe Austin em festa. Não se trata exclusivamente de um evento de música, mas é de música que aqui se trata. Este ano registaram-se mais de 1400 actuações ao vivo, entre artistas já consagrados, alguns a despontar e vários desconhecidos, muitos deles oriundos de países diferentes. Para os que adquirem bilhetes, é uma oportunidade de assistir de perto a inúmeros concertos.
Não resisto à colagem de alguns momentos da edição deste ano. Quem parece que mais deu nas vistas, por razões óbvias, foi a vocalista dos norte-americanos The Gossip, Beth Ditto. Surpreendeu o público com um strip quase integral. As imagens estão disponíveis no you tube, mas como a qualidade não é grande coisa, fica um excerto de outra actuação dos The Gossip no mesmo festival.
No ano que marca o regresso dos The Stooges, com The weirdness, que já cá canta, Iggy Pop continua igual a si próprio.
E, finalmente, os Architecture in Helsinki com “do the whirlwind”:
E houve muito, muito mais.
Vou ponderar a possibilidade de passar por lá no próximo ano. Estive para voltar ao Texas este ano, mas em princípio a hipótese está posta de parte. Alojamento em Austin é garantido. Regresso ao verão de 1993. Passei uma boa temporada em San Antonio, que deu para quase tudo, até para tirar a carta de condução. O tempo que lá permaneci dava para conhecer o Texas e os arredores e os arredores dos arredores. Infelizmente, não conheci Austin, que por acaso até é a capital do estado.
Tenho motivos para lá voltar. E agora tenho mais um. Vou procurar o meu chapéu de cowboy. Austin aqui vou eu.
22/03/07
O padrinho do meu afilhado é um gajo desnaturado
UMA MÚSICA: YOU'RE SO GREAT - BLUR
Pois é. Acima de tudo, é um padrinho despadrinhado. Mas olha miúdo, daqui a uns dias, quando souberes ler bem, pede ao outro surdo deste blog, que, pelo que consta, também é teu pai, para te mostrar o rol de disparates que por aqui se escrevem. Depois, podes chegar à inevitável conclusão: mas estes gajos só ouvem música esquisita? Ou fingem que ouvem, porque estão meio surdos, os coitados. E é aí que eu te mostro os discos do Bana e Flapi, da Heidi e da Abelha Maia, para tu veres que nem sempre foi assim. Antes da insanidade, existiu uma infância mais ou menos normal. Ou seja, a seguires alguns passos destes senhores, segue apenas os primeiros.
O que não quer dizer que não tenhas bom senso. Opta por um meio termo. Aprende a tocar guitarra como o indíviduo do video. Parabéns Vicente, amigo, o padrinho está contigo.
Pois é. Acima de tudo, é um padrinho despadrinhado. Mas olha miúdo, daqui a uns dias, quando souberes ler bem, pede ao outro surdo deste blog, que, pelo que consta, também é teu pai, para te mostrar o rol de disparates que por aqui se escrevem. Depois, podes chegar à inevitável conclusão: mas estes gajos só ouvem música esquisita? Ou fingem que ouvem, porque estão meio surdos, os coitados. E é aí que eu te mostro os discos do Bana e Flapi, da Heidi e da Abelha Maia, para tu veres que nem sempre foi assim. Antes da insanidade, existiu uma infância mais ou menos normal. Ou seja, a seguires alguns passos destes senhores, segue apenas os primeiros.
O que não quer dizer que não tenhas bom senso. Opta por um meio termo. Aprende a tocar guitarra como o indíviduo do video. Parabéns Vicente, amigo, o padrinho está contigo.
20/03/07
A vida e um toque de telemóvel
UMA MÚSICA: ONE THOUSAND REASONS - THE SOUND
É estranha, a música que me quer acordar de manhã. É seca, e julga-se infalível. É impessoal e pouco transmissível. É uma música que pensa que é música, a convencida. E não é, não passa de um toque. Se gosto dela? Nem por isso. Só não a destruo porque me dá gozo vencê-la na luta que travamos todos os dias. E sim, ganho quase sempre. Antecipo-me e não a deixo expressar-se. Nos últimos tempos, não raras vezes, antecipo-me com demasiada antecedência. Não é redundância, é o vazio de uma verdade, é o tempo a passar e a chamar-me à atenção. E, como hoje, o tempo concede-me tempo para ir pensando noutras músicas. Aquelas que nunca ouvi, mas gostava de ter ouvido. Não são originais, são versões de temas que nunca ninguém inventou. E só não fui eu a inventá-los porque ainda não sou inventor. E só não fui eu a escrevê-los porque ainda não sou escritor. E, como ainda não sou compositor, também não pude compô-los. E muito menos tocá-los, porque ainda não sou músico. A derrota de um toque de telemóvel podia ser mais do que aquilo que é. Amanhã, ao saborear uma nova vitória, vou pensar nisso.
É estranha, a música que me quer acordar de manhã. É seca, e julga-se infalível. É impessoal e pouco transmissível. É uma música que pensa que é música, a convencida. E não é, não passa de um toque. Se gosto dela? Nem por isso. Só não a destruo porque me dá gozo vencê-la na luta que travamos todos os dias. E sim, ganho quase sempre. Antecipo-me e não a deixo expressar-se. Nos últimos tempos, não raras vezes, antecipo-me com demasiada antecedência. Não é redundância, é o vazio de uma verdade, é o tempo a passar e a chamar-me à atenção. E, como hoje, o tempo concede-me tempo para ir pensando noutras músicas. Aquelas que nunca ouvi, mas gostava de ter ouvido. Não são originais, são versões de temas que nunca ninguém inventou. E só não fui eu a inventá-los porque ainda não sou inventor. E só não fui eu a escrevê-los porque ainda não sou escritor. E, como ainda não sou compositor, também não pude compô-los. E muito menos tocá-los, porque ainda não sou músico. A derrota de um toque de telemóvel podia ser mais do que aquilo que é. Amanhã, ao saborear uma nova vitória, vou pensar nisso.
16/03/07
É sexta, e depois?
UM ÁLBUM: RUSSIAN DOLL - VIOLET INDIANA (2004)
Ó Gonçalo, se alguém perguntar por mim, estou aqui mas fugi.
Ó Gonçalo, se alguém perguntar por mim, estou aqui mas fugi.
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