20/06/07
Surdices do passado: Felt
Os Felt invadiram-me os ouvidos na segunda parte da década de 80. A esta, nunca será necessário associar-lhe o século. Será, eternamente, a década de 80. Um pouco à semelhança de Lawrence, o grande mentor da banda, a quem nunca foi preciso associar o apelido (Hayward).
Nasceram em Birmingham, em 1979. Para além de Lawrence, o único membro que permaneceu na banda desde o início (apesar de não ser mencionado no primeiro álbum) foi Gary Ainge, o baterista. Ao longo de 10 anos, lançaram 10 álbuns:
. Climbing the antiseptic beauty (1981)
. The splendour of fear (1984)
. The strange idols pattern and other short stories (1984)
. Ignite the seven cannons (1985)
. Let the snakes crinkle their heads to death (1986)
. Forever breathes the lonely word (1986)
. Poem of the river (1987)
. The pictorial Jackson review (1988)
. Train above the city (1988)
. Me and a monkey on the moon (1989)
O único video oficial é “A declaration” (Live in concert, London, February 1987). A propósito, passaram pela Aula Magna nesse mesmo ano e eu não fui ver. Não só porque ainda não ia a concertos, mas também porque não estava familiarizado com a banda. Tive o prazer de conhecê-los mais ou menos por essa altura. Estavam perdidos no meio daquelas carradas de discos que surgiam lá por casa. Já escrevi sobre isso. O álbum chamava-se “Forever Breathes the Lonely Word”. Agarrei-o e agarrei os Felt, e continuo a sentir um prazer indescritível em ouvi-los.
São, também eles, e apesar de pouco mencionados, uma referência inquestionável em muita da música que hoje ouvimos.
Separaram-se em 1989 e Lawrence prosseguiu a sua carreira nos Denim e, mais recentemente, nos Go-Kart Mozart.
“Stained-glass windows in the sky” faz parte de “Poem of the River”.
15/06/07
Quando os fornecedores falham
Há uma semana atrás, estava entre o ir e o não ir. Confesso: quando os meus fornecedores de bilhetes falham, sou um verdadeiro pelintra. Deito-me a fazer contas à vida e pondero em demasia. As excepções são muitas, felizmente, porque adoro concertos. À falta deles, os ouvidos enferrujam-se. Por isso, quando quero ver, compro o bilhete, mesmo que não tenha dinheiro. Suborno alguém para mo comprar, faço beicinho, choradinho, de coitadinho, amuo e atiro-me para o chão. Tento esgotar todas as possibilidades. Uma vergonha.
Para o dia de sábado, no Festival Alive, ninguém se chegou à frente. Uma vergonha, também.
Mas como o “deslarga-me” também ia, respirei fundo e lá adquiri o bilhete, sem grande convicção, porque este não era dos imprescindíveis.
Hoje, a frio, estou entre o gostei e o não gostei.
Aos White Stripes preferia vê-los em concerto isolado. Não me desiludiram, mas foi curto, como o é quase sempre em festivais. Tocaram algumas músicas que não estava à espera de ouvir, só achei o final um bocado previsível. De qualquer forma, um bom concerto.
Não tinha expectativas para o regresso dos Smashing Pumpkins; antes pelo contrário. Seria diferente se soubesse que, em palco, iria estar a banda original. Fiquei surpeendido quando reparei no guitarrista, que tinha algumas semelhanças físicas com James Iha e na baixista, isso mesmo, uma baixista, porque assim até parecemos os Smashing Pumpkins de sempre. Tudo um bocado forçado, digo eu. O som estava mau, mas até soube bem ouvir alguns temas, principalmente o “set” acústico de Billy Corgan com “rocket”, “to sheila” e “tonight tonight”. De resto, senti-me pouco entusiasmado e pensei algumas vezes no concerto da praça de touros de Cascais. Já lá vão mais de 10 anos. Para o lançamento de “Zeitgeist“, ainda menos expectativas.
Do que estava mesmo a gostar era do concerto dos The Go! Team, que largámos a meio para ir assistir ao dos Smashing Pumkins. Uma pena...Irradiam, ao vivo, toda aquela onda de boa disposição que se sente ao ouvir “Thunder, Lightning, Strike”, de 2004.
Formados em Brighton, Inglaterra, têm uma base de 6 elementos, destacando-se as duas baterias e a vocalista, Ninja. Lançaram também o ep “Get it together”, em 2001 e preparam-se para editar um novo álbum, com data prevista de saída a 10 de Setembro. “Grip like a vice” é o primeiro avanço.
E é tudo quanto a festivais, para este ano. Em princípio. Para o ano logo se vê.
PS: Os And You Will Know us By The Trail of Dead tocam no Sudoeste…os Of Montreal também. Aumenta o rol de nomes apetecíveis, mas serão compreendidos?
10/06/07
My girl's birthday
UM CONCERTO: TIM BOOTH, NO SUDOESTE (08/08/2004)
Há alguns anos, neste dia de Primavera, nascia, fruto de um momento de inspiração de duas pessoas, uma menina. A menina cresceu, e fez-se mulher. Quis o destino que ela se cruzasse comigo. E, a partir daí, nada foi como dantes.
Obrigado por me teres deixado entrar no teu mundo, por partilhares, por me aceitares, por me fazeres acreditar em coisas que eu já tinha esquecido que existiam. A vida sem a tua existência seria bem diferente, para pior. Por isto e por muito mais, envio-te um grande beijinho de parabéns e, correndo o risco de me tornar repetitivo, uma musiquinha com dedicatória.
03/06/07
Estavas lá?
Fomos quase os primeiros a chegar ao Santiago Alquimista. Logo aí concluímos que não iria estar muita gente. Apesar de já existirem desde 1993 e de todos os seus álbuns terem sido recebidos com fervor pela crítica, e com razão, os Low parecem ser quase desconhecidos em Portugal.
Quase. Ainda assim, éramos alguns. E no final, deu para tudo. Até para o meu primeiro bilhete autografado. Pelo casal Alan Sparhawk e Mimi Parker. Só faltou o rabisco de Matt Livingston.
Foi um dos concertos mais bonitos a que assisti. Porque as canções dos Low são isso mesmo, bonitas. No final, quando tocavam Over the Ocean, pensei em ti. Farias anos hoje. Correu-me uma lágrima, que só tu sentiste. Estavas lá, não estavas?
Ao irmão de sangue
Vamos lá ver se me lembro. Numa daquelas raras noites de copos, que quase sempre acabavam em minha casa com ainda mais copos, desabafos e conversa, e música claro, que é outra conversa, resolvemos fazer um pacto de sangue. Não sei qual era o teor do pacto, mas nessa noite tornámo-nos irmãos de sangue. Andávamos a ver muitos filmes.
E aquele filme até podia ser desnecessário. Se há amizade que tenho a certeza que perdura para sempre é a nossa. E que dizer da banda sonora deste filme?
Os festivais, sempre com aventuras; o ccl, as cassetes na grafonola, litradas e guitarradas no campo de jogos e a kananga do Japão; os Fields of The Nephilim na viagem para o Algarve, o Bar do Xico e mais guitarradas; o quarto na Morais Soares e a aparelhagem de um lado para o outro; o metal em tua casa e os Ramones do murdoque murdaluco; no Bairro Alto, o naif, o sudoeste, o telmos, o clandestino; o café bagdabre; os sumáááááários da professora de história, porque aquilo era quase música, como música eram as aulas da professora Isabel Silva; o Tóquio e o Até ao Fim; os fins de ano; os bailes da escola.
Os caracóis; as minhas birras; as futeboladas na praia; a vala da costa; a noite da Níni, porque ela é um pouco tua; algumas, muito poucas, bebedeiras…
Inesquecível também aquela noite na costa, em que, munido de um ferro, desataste a matar uma série de poças de lama. Acabámo-la na esquadra, para onde fomos confortavelmente transportados por dois carros da bófia.
E muito mais para contar nestes quase 20 anos.
Como sabes, nunca posso esquecer o dia do teu aniversário. Por ti e por outra pessoa muito especial. Como tu.
Este é o dia em que, todos os anos, deixo de ser um ano mais velho. Parabéns.
01/06/07
E os Festivais que se lixem
Este ano não vou ser festivaleiro. Naquele que será, talvez, o melhor ano de sempre para os festivaleiros que gostam de música. Subitamente, quando já tinha tudo programado para me dedicar, pelo menos, ao SBSR, com férias marcadas e tudo, eis que surge um novo emprego. Férias, nem vê-las. Festivais, nem ouvi-los.
Foram duas semanas intensas, que nem me permitiram vir até aqui…
Será um sinal? Afinal, eu é que já tenho idade para ter juízo. Juízo? Não ouvi bem, continuo um pouco surdo, e no próximo sábado, é quase certo, lá estarei para ouver o “casal” Meg & Jack White (pela primeira vez), os Srs. Billy Corgan, Jimmy Chamberlain e os seus novos amigos (pela terceira vez), e os The Go-Team.
E eis também o dia que anuncia a ida dos The National ao Sudoeste…a banda que mais me enche os ouvidos por estes dias. Boxer é um álbum de eleição. Mistaken for stranger é apenas um exemplo do quão viciante se pode tornar um disco…com Alligator aconteceu-me o mesmo.
Lentamente, o Festival Sudoeste começa também a aliciar: se pudesse, ia até lá para ver o regresso dos James, para rever, com muito prazer, Editors, e para ver, pela primeira vez, outros nomes que gosto: I’m from Barcelona, Camera Obscura, Noisettes, Ojos de Brujo, Bonde do Role, Patrick Wolf, The Streets, Air Traffic e Sondre Lerche. Para acalmar mais uma vez com os Koop. Para apreciar os Balla. E, claro, para vibrar com The National.
Eles que já passaram por Paredes Coura. Também ia até lá, ao melhor festival do país, pela primeira vez. New York Dolls, Architecture in Helsinki, Sunshine Underground, Cansei de Ser Sexy e uns tais de Sonic Youth. E muito por anunciar.
Mas não posso. O que posso, com toda a certeza, é ir até ao Santiago Alquimista amanhã. Lá estarei com os Low. Um momento aguardado há alguns meses.
P.S. Gostei do concerto de Bloc Party de há duas semanas. Só isso. Não chegou, ainda, para pegar novamente no segundo álbum. Prefiro recordar alguns temas de Silent Alarm. Decididamente, não é por eles que tenho pena por não ir ao SBSR…
18/05/07
É sexta, véspera de casamento, dia de concerto, fim do teu tormento
Amanhã, casa-se um punk. Não um punk qualquer. Um punk que nunca foi punk, mas que continua a sê-lo. Um companheiro de andanças musicais, há quase duas décadas, responsável por alguns dos gostos que ainda mantenho. Mantemos. E, para além de ser um dos meus melhores amigos, é também o dono do meu sobrinho. Desta vez tenho a certeza que vais ser feliz. Pelas vezes que não foste da outra, e por muitas mais.
“A weekend in the city”, segundo álbum dos Bloc Party, tocou-me aos ouvidos, mas, ao contrário de “Silent alarm”, não entrou. Ficou lá fora e não voltei a dar-lhe muita atenção, o que não quer dizer que, quando houver uma vaga, não mereça uma segunda oportunidade. Talvez amanhã, depois do concerto de logo à noite no Coliseu dos Recreios.
Concerto número dois, para mim e para o meu sócio, desde que aqui começámos a gatafunhar. Os bilhetes são cortesia do outro sócio, colaborador invisível deste blog, que por motivos profissionais não se pode deslocar à capital.
E a esta hora já contas os minutos que faltam. Foram só quinze dias, mas sabemos que te custaram. Afinal, não posso ir buscar-te ao aeroporto. Se ainda fores a tempo, guarda o “find the river”, dos R.E.M., na tua bagagem de mão. Vai fazer-te companhia durante a viagem…
16/05/07
I’ll dive for your memory
Planeara revisitá-lo a 6 de Maio, dia do primeiro aniversário da sua morte. Os meus ouvidos distraíram-se e ocuparam-se de outros assuntos. Não há problema. As datas de qualquer morte não fariam mal em desaparecer do meu calendário.
Grant Mclennan morreu durante o sono, de ataque cardíaco, na sua casa em Brisbane, na Austrália. Tinha 48 anos. Pouco tempo depois, o outro fundador e compositor dos The Go-Betweens, Robert Forster, anunciou a inevitável morte da banda.
Foi em Brisbane, na Austrália, que nasceram, renasceram e duas vezes morreram os The Go-Betweens. Quando o fim foi anunciado, em 1989, poucos pensaram num hipotético regresso. Talvez mais tarde, como fazem outros, talvez mais tarde se juntassem para dar uns concertos…
Nunca vi os The Go-Betweens ao vivo. Um grande lapso na minha colecção de bilhetes. Oportunidades não faltaram. Actuaram em Portugal algumas vezes. Acreditei que voltassem, como se a Austrália estivesse a um passo. Eis uma regra para os concertos de quem gosto: nunca pensar que os vejo da próxima vez que cá vierem. Posso ter que esperar até não ter idade.
Após a separação da banda, Grant Mclennan colaborou nalguns projectos e lançou quatro álbuns a solo:
Watershed (1991)
Fireboy (1994)
Horsebraker star (1995)
In your bright ray (1997)
Surpreendentemente, os The Go-Betweens regressaram, e em grande forma. Reencontraram-se em 2000 para editar “The friends of Rachel Worth” (2000), “Bright yellow, bright orange” (2003) e o excelente “Oceans apart” (2005).
Começaram em 1977. O primeiro álbum, semi-oficial (reeditado em 2002), intitulou-se Very Quick On The Eye. Seguiram-se-lhe:
Send me a lullaby (1982)
Before Hollywood (1983)
Spring hill fair (1984)
Liberty Belle and the Black Diamond Express (1986)
Tallulah (1987)
16 Lovers lane (1988)
“Bye bye pride” faz parte de “Tallulah”:
Pelo meio, algumas compilações e um The Peel Sessions EP, em 1988.
Há uns tempos atrás não seria impossível chocar com Grant Mclennan numa rua de Brisbane. Hoje choca-se com a sua memória. O que não é pouco.
P:S. “Dive for your memory” é a última música de 16 lovers lane.
11/05/07
É sexta, e quando sair daqui vou cortar o cabelo
É uma decisão que não interessa a ninguém e, pensando bem, não sei se estou assim tão precisado. Foi mais um pretexto para relembrar os Pavement, que ainda não tinham aparecido neste blog. Vão aparecer mais vezes. Não é uma falha, porque aqui quase só escrevo sobre o que gosto e os nomes surgem aleatoriamente. E, numa altura em que tantas bandas se reagrupam para ganhar uns trocos, estes senhores também podiam fazer o jeitinho.
04/05/07
This one’s for you
Nos meus ouvidos existe um armazém onde músicas como esta não se desgastam nem envelhecem. Estão associadas a pessoas especiais e de vez em quando vou lá buscá-las. Depois reponho-as nas prateleiras, com muito cuidado, e assim se conservam para sempre. “This one’s for you” é de Ed Harcourt, é um pouco minha e é um pouco tua.
São só 15 dias e Bona até tem um nome parecido com Lisbonne (é uma private joke a fazer lembrar o vosso francês perfeito). Vais ver que não dói. Daqui a bocado já te vamos buscar ao aeroporto.
26/04/07
Wimbledon 26499
Manhã de domingo de 26 de Abril de 1999. O dia acabava de acordar. Um homem atira-se para a frente de um comboio na estação de metro de Wimbledon, em Londres. Perdia-se uma vida. Provavelmente uma vida desconhecida para os que lá estavam, mas não para mim. Nem para milhares de desconhecidos, como eu.
Adrian Borland estava a terminar as gravações do álbum “Harmony and Destruction”. Mostrava algum entusiamo e orgulho na gravação deste disco, que sucederia a “5:00”, editado em 1997. No entanto, estava doente. A depressão em que vivia há mais de uma década teve o seu epílogo nessa manhã. Durante a madrugada, foi encontrado num restaurante perto de Kennington, confuso, ouvindo vozes...Foi transportado para casa dos pais pela polícia. Voltaria a desaparecer mais tarde, e o resto já se sabe. Tinha 41 anos.
Para além dos referidos discos, e da edição a título póstumo de “The last days of the rain machine” (2002), “Harmony and Destruction” (2002) e do recentíssimo “The Amsterdam Tapes” (2006), Adrian Borland gravou outros álbuns a solo:
Alexandria (1989)
Brittle Heaven (1992)
Beautiful Ammunition (1994)
Cinematic (1995)
Em 1987, criou os Hononulu Mountain Daffodils; o vocalista, ele próprio, tinha o divertido pseudónimo de Joachim Pimento. Saíram, como álbuns oficiais, “Guitars of the oceanic overgrowth” (1987), “Tequilla dementia” (1988) e “Aloha Sayonara” (1991).
Com o projecto White Rose Transmission, de que faziam parte, entre outros, o seu amigo Carlo van Putten e um ilustre admirador da sua obra, Mark Burgess, a quem obrigatoriamente voltarei (ou não se tratasse do líder de uns tais The Chameleons), tinha acabado de lançar “700 miles of desert”, que sucedia a “WRT”, de 1995.
(Enquanto escrevo este texto, aparece-me aos ouvidos Rougue Beauty de “Alexandria”, perdido entre as compilações que me entretêm o tempo...como se eu acreditasse nestas estranhas coincidências)
Estava prevista uma digressão acústica dos White Rose Transmission para Maio de 1999, que, como era óbvio, não poderia realizar-se sem Adrian Borland. Mas realizou-se, em jeito de tributo. Com muitas músicas dos The Sound.
Como alguém disse uma vez, e fixei estas palavras, a mais famosa banda desconhecida de todos os tempos. Os The Sound são uma das minhas três bandas de sempre (as outras duas ficam para mais daqui a bocado). Não foram, são. Significam-me muito, pela música e pelas letras.
“From the lions mouth”, de 1981, é a minha melhor receita de sempre para a surdez. “Propaganda” (sessão de estúdio de 1979, editado em 1999), “Jeopardy” (1980) e “All fall down” (1982) impedem o seu avanço, se ouvidos, pelo menos, duas vezes por mês. “Shock of daylight”, EP de 1984, é o vinil que os meus ouvidos mais veneram. “Heads and hearts” (1985) revitaliza o ouvido direito, “Thunder up” (1987) apura o ouvido esquerdo. As vitaminas devem ser tomadas em doses pouco moderadas: “In the hothouse” (1986), “The BBC recordings” e os cinco volumes das “Dutch radio recordings”. Tenho quase todos os medicamentos cá em casa e nenhum está fora de prazo. A audição exagerada é aconselhável e não existem contra-indicações.
Graham Green, Michael Dudley, Benita “Bi” Marshall, substituída em 1981 por Colvin “Max” Mayers (desaparecido em 1993), são os outros nomes dos The Sound. No início de uma digressão, em 1987, começaram a surgir os primeiros (ou os últimos?) sintomas da doença de Adrian Borland. A digressão foi cancelada. A banda dissolveu-se.
Em “sense of purpose”, de “From the lions mouth”, escreveu: “I’ll take my life into my own hands…I’m the one that I will blame”.
Em Setembro deste ano, quando for a Londres pela primeira vez, vou parar na estação de Wimbledon. Não vou pôr flores. Não vou ter pressa. Não vou dizer nada, porque o silêncio, eu sei, fala mais alto do que as palavras. Vou esperar, apenas, pelo próximo comboio.
P.S. - Os The Sound tocaram em Lisboa, no Rock Rendez Vous, a 12 e 13 de Julho de 1984. Existem alguns videos de Adrian Borland e dos The Sound disponíveis no youtube.
21/04/07
Antes que a tarde de sábado seja de noite
Gosto das soalheiras tardes de sábado sem planos. E de saber que o tempo que passa não é da minha conta. De quase congelar uma cerveja para as goelas descongelarem. De abrir o livro na página em que o marquei ontem, sabendo que daqui a umas horas se fecha na mesma página. De ouvir "saturday night", dos Suede, que até me cai melhor antes da queda da noite.
18/04/07
...And you will know us by the trail of dead
Se as capas dos álbuns vendessem, seriam quase de certeza um caso de sucesso. São todas excelentes, inclusive as dos ep’s. Têm a autoria de Conrad Kelly e um colaborador seu de longa data, James Olsen. No entanto, não me seduziram pelas capas, mas sim pela música. Deles pouco se fala. Fizeram de propósito. Escolheram um nome que custa pronunciar e que ocupa espaço.Acompanho, com quase devoção, os …And You Will Know us By The Trail of Dead desde que comprei “Madonna”, em 1999. Seguramente não sou o único e outros reconhecem no citado álbum e em “Source, Tags & Codes” (2002) duas das grandes obras da música independente dos últimos tempos. Another morning stoner é uma das melhores músicas de sempre a alcançar-me os ouvidos.
Austin, que já visitei neste blog, é a cidade que os viu nascer. Conrad Keely e Jason Reece são os líderes da banda: alternam a voz, a guitarra e a bateria, nos discos e nos concertos. O primeiro álbum, homónimo, foi editado em 1998. Em Abril de 2003 surge o EP “The Secret of Elena’s Tomb”.
O tema “mistakes & regrets” faz parte de “Source, Tags & Codes” e aqui interpretam-no ao vivo num concerto em Graceland, em 2006.
“World’s Apart”, de 2005 e “So Divided” de 2006 não são de fácil digestão para quem conhece a discografia anterior do grupo. Neste último, a diferença de sonoridade é notória e recebe críticas bem menos favoráveis. Não é que desgoste, mas também prefiro os primeiros álbuns.Aliás, “So Divided” coincide com o aparecimento de rumores que apontavam para a dissolução. O título do álbum também não parecia inocente. Contudo, Conrad Kelly descansa-nos com um texto publicado no site oficial:
“I've been getting a lot of people asking me are the rumors true, is ...Trail of Dead going to break up? Yes, it's true, the band will break up, eventually. Unless they can find a drug that will keep us alive forever, like the one Keith Richards takes (I believe you have to snort dead people's ashes). Are we breaking up anytime soon? No. Sorry to disappoint you. That means, for all those people who've asked for our autographs, they won't be worth anything for a long time yet, so keep your day job.”
Afinal, eles vivem.
14/04/07
O verdadeiro Artista Espacial
E que a foça esteja convosco no fim de semana.
12/04/07
Teach me how to fight
Apetece-me muito não escrever sobre este tema do primeiro álbum dos Junior Boys. Por um instante, não quero estar um pouco surdo para ficar um pouco mudo.
11/04/07
Hoje transformei-te em música
Desta vez comecei pelo fim. Com a música a que te quero associar. Porque “utopia” é uma das poucas canções que não me arrepia apenas os ouvidos. Arrepia-me o corpo todo e os corpos circundantes.
Estive para escolher uma das versões ao vivo disponíveis no youtube, mas melhor do que o original, só aquela que ouvimos no concerto do Coliseu. O meu irmão arranjou dois bilhetes e à última hora não pôde ir. Ou algo parecido. O bilhete a mais voou-me para as mãos e lá rumámos os dois a Goldfrapp. Para um camarote, claro, porque somos finos quando não compramos convites para concertos. Este foi especial, seria pela companhia?
É verdade que não nos vemos com muita frequência. Falamos em FM (Frequência Moderada). Não há pressas nem obrigações. Admiro-te sempre pela frescura que preservas, pela atitude e pelo sorriso. Isto não é uma declaração de amor (antes que me chames tarado)…é uma declaração de amizade, que assinámos há muitos anos, e tem duração vitalícia. Parabéns e até já, numa esplanada à beira-rio.
06/04/07
Mais um surdo que nem uma porta
A partir de hoje, o blog tem mais um surdo. Hã? Um surdo. Tem um histórico suspeito, em termos musicais. Mas dispõe de tantos conhecimentos como os outros dois surdos. Ou seja, nenhuns. Estamos a tentar melhorar. Mais vale sermos surdos e fingirmos que ouvimos boa música, do que manetas e não conseguirmos pôr um cd no leitor. Fico à espera do teu post sobre Motorhead. És muito bem-vindo.
Lodos de quinta-feira
Ainda estou a recuperar. A idade pesa uns gramas e os dias de trabalho não toleram noitadas como dantes. Pensando bem, nunca toleraram. Os Cansei de Ser Sexy não tocaram até às 4 da manhã, mas toquei eu. Curiosamente, o primeiro concerto dos surdos deste blog, desde que o criaram, foi o da banda que lhe deu o nome. E gostámos muito, pois gostámos. Foi estreia em grande, que merecia mais um copo. Portanto, tivemos que prolongar a noite. O retomar de um bom velho mau hábito. Assim mesmo. Eu e o meu amigo JB (por acaso, até nem gosto de whisky) fomos impelidos a ficar na conversa até às tantas. A isso ainda nos obriga a cerveja. Num passado quase distante, obrigou-nos com mais frequência. Calhava quase sempre à quinta-feira. Chamávamos-lhes os lodos de quinta-feira. Eram uma armadilha. Uma festa até ao momento em que acabavam, um quase pesadelo quando o dia de trabalho acordava. O concerto não foi na quinta-feira, mas, como hoje é feriado, foi como se tivesse sido. E não é que este lodo me soube bem? Estamos em forma, graças aos Cansei de Ser Sexy.
P.S. Obrigado pelo bilhete, carneiro
05/04/07
LOVEFOXXX
Ontem voltei ao Lux.
Acho que foi o bilhete para um concerto que comprei com maior antecedência na minha vida (acho que por volta de Janeiro).
Queria vê-las, ouvi-las e sentir que não era só imaginação minha.
Para mim, as CSS foram a banda mais boa onda de 2006 e ontem estive só a alguns metros delas. Eu estava "superafim" de vê-las ao vivo.
Adorei.
Lovefoxxx é realmente uma rock'n'roll Bitch (Desculpa lá Peaches mas perdeste o lugar. Esta miúda bate-te aos pontos)!
Como é que uma mulher tão pequenina tem tanta energia?
Só foi pena não terem tocado o Bezzi e o superafim, mas tocaram uma cover de Pretend Were Dead das L7 que me fez bater o pézinho.
Antes tocaram as Tilly & the wall, banda que achei deveras original.
Estão assim entre a Heidi e o Fred Astaire.
Gostei principlmente da moça que sapateava. Fartou-se de dar pulinhos e encheu-me a vista.
A Gerência agradece.
Momento alto da noite foi o reencontro do fumado com seus amigos bebidos.
A Seguir ao concerto ainda deu direito a uma ou duas bejecas em casa do Rui, na companhia deste e do Jorge.
Rui, gostei muito de ter conhecido a tua casa e embora não tenha estado contigo durante o concerto, foi um final de noite 5 estrelas.
Jorge, Bem-vindo ao blog.
Não se cansem de ser sexys...
03/04/07
Charles & Peters Cafe
Não consigo precisar a idade que tinha quando aquele disco apareceu lá em casa. Talvez tu te recordes melhor do que eu. Pediste ao tio que te trouxesse de Nova Iorque, entre outros, o “Power, corruption and lies”, dos New Order. As minhas preferências musicais começaram a moldar-se por aí. Continuo a ouvir New Order, mas esse álbum, de 1983, é diferente e significa muito mais do que o meu simples gosto por uma banda. Na altura, era eu um puto novo, não imaginava a ligação que tinham com os Joy Division. Fui crescendo e aprendendo, muito mais sobre Joy Division, um pouco menos sobre New Order.
Tempos houve em que chegavas a casa e eu olhava para as tuas mãos. Se estivesse já a dormir, acordava. E se não me levantasse na altura, a primeira coisa que fazia de manhã era vasculhar o saco que trazias. O que procurava eu? Discos, claro. Todas as semanas. Por vezes às carradas. Vindos de um certo lugar. E, assim, fui fazendo as minhas escolhas. No fundo, acabaste por ser tu a alimentar-me o vício. Foste o portador do vírus. Que não me criem uma vacina, porque com esta doença convivo bem, obrigado. E, claro, este obrigado é para ti.
Que me ocorra, nunca assistimos a um concerto juntos. Nunca fizemos muita coisa juntos. Tivemos alguns desatinos, umas discussões, por causa dos nossos feitios diferentes, qual deles o mais especial de corrida. Nada de muito grave. Podemos até não ter, ainda, a melhor relação entre irmãos que existe, mas somos bons amigos. Dúvidas sobre isso? Nenhumas. E dúvidas não tenho que amigos nos manteremos. Estão proibidas mais confusões nesta família.
Para além de ti, existe o outro sócio deste bar. A maior parte das capas de vinil que me percorrem a memória auditiva, têm a mesma proveniência. O tal certo lugar que referi há pouco. Alguns dos discos ouviam-se muito na altura. Outros nem por isso. Era nesses, principalmente, que me fixava. “Sonic flower groove" e nunca os Primal Scream soaram tão diferentes, como ainda tentam soar a cada álbum que fazem. "The greatest story ever told", dos Balaam & The Angel, tão inesquecível que não o encontro em lado nenhum, e os acordes de "slowdown" intrometem-se-me de novo nos ouvidos. Os maxi-singles..."bring on the dancing horses" dos Echo & The Bunnymen, "books on the bonfire" dos Bolshoi, "uncertain smile" dos The The, "idol" dos Flesh For Lulu, "this corrosion" dos Sisters of Mercy...os Lp's, inumeráveis...Na noite de 24 de Dezembro de de mil novecentos e qualquer coisa, o pai natal trouxe uma aparelhagem da moda para pôr na sala. Açambarquei-a logo, e ali fiquei a ouvir os "meus" discos durante quase toda a noite. Ouvi "Darklands" dos The Jesus and Mary Chain umas duas ou vinte vezes seguidas. Era novidade. Mais tarde, o dono do certo lugar começou a gravar-me cassetes de música esquisita, com passagens entre cada música e tudo, era o melhor DJ lá da zona. Formou-se então a minha paixão pelas compilações, que ainda dura, pois dura. O DJ foi-se dedicando a outras músicas, embora, aqui e ali, continuasse a ser requisistado. Aqui, na Costa da Caparica, naquele fim de ano de caixão à cova, enchendo a pista de dança de uma vivenda com o melhor som, mas só até uma determinada hora, porque depois disso já não me lembro de nada. Ali, no moinho em Torres Vedras, alguns anos depois, o "1979" dos Smashing Pumpkins e uma cadeira a pregar-me uma rasteira. Os copos partem-se, mas a música continua, e continua, e continua...
Parabéns aos dois, obrigado por me terem deixado inventar este espaço. O Charles & Peters Cafe abriu há mais de 20 anos, mas a inauguração fica para amanhã. A primeira música a rodar será "your silent face". A meu pedido...