26/12/07

Um Natal do .....



Eu avisei...
Os Putos ainda não estavam finos para irmos para fora.
Como sempre, ela não queria saber.
Dia 23, O Vicente estava a vomitar, dia 24 estavam ela e o Gaspar.
Fomos na mesma...
Adoro o Ribatejo, mas previa um natal do...
Ninguém vomitou pelo caminho.
Chegados àquela linda localidade do Malhou, almocei e depois fui fazer uma cesta para o sofá (Deviam estar à espera que fosse ajudar a fazer fritos de natal).
Quando acordo, vejo que a coisa não estava famosa. Teria eu ganho finalmente super-poderes e o mal estar eram os efeitos secundários?
Não... Era mesmo um super grémito que vinha a caminho.
Depois outro...
Mais outro...
A sanita já estava farta de me ver.
Isto foi coisa para durar até às 2 da matina do dia 25.

Quando Acordei estava um dia de merda, e eu com uma disposição de merda.
Voltámos para Lisboa a chover.
Acartei com tudo para o 3º andar a chover.
Os Meus pais apareceram lá por casa.
Ao Vicente deram-lhe a casa do Winnie the pooh (os power rangers já deviam ter esgotado).
Ao Gaspar um carro do Pocoyo (OK é mais à macho).
A mim deram-me o best of...da Diana Krall???

NATAL DO...

P.S. Ó Rui, pá! Vai lá comprar o bilhete para irmos aos Go! Team e aproveita e compra-me uma corda bem resistente.

19/11/07

Macacos no sotão....

Gorillaz CMYK Vinyl Figures



Ok...
Não estão no sótão....
Estão no escritório e ficam mesmo bem na prateleira....
Agora vou ouvir o D-sides que acabei de sacar....

17/10/07

Fátima

Não vou falar de religião, nem de futebol, nem sequer de Fado.
A Fátima está acima disso tudo.
É simplesmente minha amiga. Daquelas que posso chamar amiga à boca cheia.
A Fátima foi a 1ª pessoa que entrevistei.
Ela esta nervosa (penso que seria o seu 1º emprego como webdesigner), eu estava nervoso pois nunca tinha entrevistado ninguém.
Gostei do portfolio e dela. Ela ficou a trabalhar comigo.
Erámos a modos como colegas de carteira, daqueles que quando um arrota o outro se peida.
Descobrimos com o tempo que tinhamos muito em comum.
A música, a animação, as ganzas, a bd. Tinhamos sempre do que falar.
Foi a fátima que me apresentou o soulseek, e eramos os reis do download ilegal naquela agência.
Às vezes não tinha pacência para o rock industrial dela e imagino que ela às vezes não tivesse pacência para o meu pop meloso.
Mas sempre nos entendemos.
Com a chegada da bruxa má do Oeste (Inominável não tens nem nunca hás de ter lugar neste blog)o negócio da internet começou a dar para o torto.
Eu despedi-me e ela foi despedida uns tempos mais tarde (é o maravilhoso mundo da publicidade).

Nunca perdemos contacto,embora hoje seja mais complicado.
Ela é mãe de um Eduardo. Eu sou pai de Um Vicente e de um Gaspar.
Vamo-nos sempre mantendo a par dos ultimos sons, dos ultimos animes e afins.

Esta banda foi ela que me deu a conhecer...

Fátima és "uma bela Amiga"...

15/10/07

Dolly , uma mulher de peito



Estava no outro dia a ver um episódio da versão americana do "the office".
O episódio acabava com um dueto de karaoke entre Michael e Jim a tentarem cantar "islands in the stream".
Esta música não me sai da cabeça já há vários anos.
Nos tempos da Rádio Nostalgia, ouvi-a dezenas de vezes, a Xana gostava de ouvir aquele posto (ela é que manda no rádio da cozinha).
Pelo que sei a música é dos Bee Gees (Agrupamento musical que gosto muito de ouvir quando estou bêbado), mas a versão que me ficou no ouvido sempre foi a da Dolly Parton com o Kenny Rogers.
Nunca fui muito virado para o Country, mas lembrei-me que a Dolly (não é a ovelha), faz parte da minha juventude.
Quando um gajo falava em mamas na escola vinha sempre à baila a Dolly Parton.
E mais, eu achava que eram naturais...
Mas isso não interessa,Se se lembrarem bem ela estava lá, no Live Aid ao lado do Michael Jackson e do Willie Nelson a cantar "We are the World".
Alguém se lembra do filme "Das 9 às 5"? Ela estava lá.
Lembram-se do Reagan Presidente? Ela estava lá.
Dos Posters da Bravo? (Espera essa era a Samantha Fox).

Hoje estou mais para o madurito, e dá-me para isto.
Vou à net e saco um Best of...
A Dolly está no meu coração e agora também está ilegalmente no meu MPCoiso.



06/09/07

Uns parabéns engasgados

UM ÁLBUM: THE BEEKEEPER – TORI AMOS (2005)

Tenho as palavras tristes. Em vez de exultarem de alegria pelo teu aniversário, como mereces, ficam-se por primeiras sílabas, baralham-se, confundem-se, tropeçam umas nas outras e caem. Onde podiam enaltecer o humor, a boa disposição, a originalidade e outras características que te são peculiares, soltam simples murmúrios, inibem-se, calam-se.

Tenho as palavras débeis, quase mudas, sérias, egoístas. Quando deviam focar-se em ti, com sorrisos, elogios, com alguma sátira e umas quantas frases disparatadas, fogem para lugares inóspitos e sombrios. Ainda por cima, sabem-no bem, tu és a luz dela, e é muita a que irradias, porque te sobra sempre alguma para iluminares, sem poupanças de energia, sem pedidos de devolução, sem exigências, aqueles e aquelas que te admiram e sentem conforto na tua presença. Teria as palavras fundidas, não fossem os dois a fornecer-lhes alguma luz.

Tenho as palavras cruzadas, por riscos que prendem como grades. Se conseguisse, ousava libertá-las para se orgulharem da tua amizade.

Tenho as palavras surdas. Se assim não fosse, estariam, por certo, a expressar-se em música, uma das línguas que ambos gostamos de falar, mesmo que a falemos de maneiras diferentes. Nela vasculho vezes sem conta à procura de nada ou, quem sabe, de alguma felicidade, a única palavra que não se me engasga, talvez porque hoje te pertença a ti. Desfruta-a e continua a partilhá-la, como tens feito até aqui.

31/08/07

Desfeito em silêncio

...



O pequeno texto que se segue começou a escrever-se um dia antes. Estás lá, deitada sobre a cama, à espera que te aconchegue nos meus braços. Repetimos esse momento noite após noite, onze anos seguidos. Onze anos de aconchego. De conforto. De alegria, sóbria, contida, porque nem tu nem eu gostamos de excessos. Vou desligar o computador, há algo de errado com o texto. Se calhar amanhã apago-o. Sento-me ao teu lado e ficamos ambos a olhar para o escuro. Não me pareces mais triste. Não te queixas. Mas o texto...

Durante uns instantes, por muitas e nenhumas razões, este espaço calou-se. Atravessou a sua primeira grande crise existencial. Questionou-se com amargura se devia continuar. Levantou dúvidas sobre a sua própria utilidade. Caiu em apatia e indiferença, mas, por fim, ergueu-se para se desfazer em silêncio. Em silêncio reflectiu: o que poderia torná-lo diferente dos outros milhares que antes e depois dele nasceram? Só na diferença se revia, mesmo que apenas se satisfizesse a si próprio. Curiosamente, não a encontrou no seu propósito, a música. Encontrou-a nos que o inspiram, e descobriu que, afinal, eram eles que o tornava diferente. Eram eles a sua razão de existir. Aqueles seres específicos, não outros, não aqueles que não conhece. E assim volta a respirar. Em silêncio.

Era um prenúncio, não precisas de mo mostrar. Eu é que me desfiz em silêncio. Resolveste também calar-te. Nunca tiraste os olhos de mim, mesmo que os tivesses fechados. Vais mantê-los fechados, eu sei, mas não os tires de mim.

Regresso à música uns dias mais tarde. Ouço, sem ouvir, dezenas de músicas já ouvidas. Perderam-me o significado. Não consigo alcançá-las. Não me passam sequer ao lado. Estão todas distantes. Todas, excepto uma.

If I was young, I'd flee this town

I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide



Inexplicavelmente, sorrio ao ouvi-la. Repito e repito. Atento na letra. Não é assim tão mau, o silêncio. Repito. Recordo-te apenas no que me devo recordar. Nos dias anteriores ao dia em que o pequeno texto começou a escrever-se.


17/07/07

Concerto de solidariedade para as vítimas do azar

UM ÁLBUM: FOR ALL THE BEAUTIFUL PEOPLE – SWELL (1998)

Sinto-me determinado no combate àqueles que insistem em considerar a tal palavra como parte integrante da minha vida. Aqueles que, maliciosamente, segredam entre si, quando me vêem: olha, lá vai ele, o azar. A esses, aos que me confundem o nome, apenas lhes digo que tudo não passa de um mito. Os responsáveis por esta mentira vão certamente retratar-se. Um dia. Mas não hoje. Hoje, ao sair de casa, reparei que o meu carro tem dois pneus em baixo. Muito em baixo. Tão em baixo que em baixo fiquei. Ainda por cima, quando o assaltaram há uns tempos, levaram também a chave das rodas. Ou seja, não posso mudar os pneus.

Que se lixe. À espera do autocarro, colo os phones aos ouvidos, ligo o leitor de mp3, e tento esquecer ao som do álbum “Una volta” (2003) dos Devotchka . Um álbum que ainda não conhecia. E continuo sem conhecer. Ou o álbum só tem meia música ou então o mp3 pifou. Marou. Ontem também tinha acontecido. Pensei que fosse bateria e pu-lo a carregar. Pelos vistos, não era. Vou mandá-lo dar una volta.

Por falar em marar. O computador entrou em coma há quase duas semanas, e ontem à noite fiquei quase convencido que a eutanásia é a única saída. Por isso, não tenho aparecido por aqui. Mais cedo ou mais cedo terei que comprar outro.

Decido ser empreendedor e formar o movimento “Against Bad Luck Aid”. O objectivo é realizar um concerto com o intuito de angariar fundos para ser operado ao azar. Andei a sondar alguns nomes para actuarem no meu quintal, em dia a designar. Todos ficaram de me dar reposta. Convidei algumas bandas que gosto: os Hot Chip e os Social Distortion tocarão ao mesmo tempo os seus temas “Bad Luck”, os primeiros no palco principal e os segundos no secundário (no telhado da arrecadação). Para animar, Stuart Staples vai tocar, na íntegra, o seu primeiro álbum a solo: “Lucky Dog Recordings”, de 2005. E os grandes Cocteau Twins reaparecem, logo no meu quintal, para tocar “iceblink luck”:



O concerto encerrará, em ambiente de festa, com mais um efusivo regresso – o dos Verve. Já imagino o meu largo sorriso ao escutar os primeiros acordes de “lucky man”, ao sentir que a cura afinal é possível, ao perscrutar os rostos carregados de esperança dos milhares de pessoas que, nesse dia de glória, vão aderir ao evento.



O alinhamento, ainda incompleto, será conhecido brevemente e o espectáculo tem transmissão televisiva assegurada para todo o mundo. Mundo cão, queria dizer.

Estou a delirar, bem sei. Tento cair em mim, mas como se não bastasse o chorrilho de devaneios e clichés dos parágrafos anteriores, solta-se mais uma frase feita: um azar nunca vem só. Comigo vem sempre em grupo. Mas eu não me inclino perante ele. Tenho a certeza que a minha sorte vai mudar. Ou o meu azar. Ou isso. Também aceito donativos.

P.S. Ah, já me esquecia do SBSR. Já não vou a tempo. O que não faltam para aí são sites e blogs a falar sobre o festival. E há topes e tudo. Aqui fica o meu: Tv on the Radio, Interpol, The Gossip e X-Wife. Também não vi mais nada. A seguir, Incógnito. Uma bela noite, e nem um único azar para estragá-la. Estão a ver? Intriguistas!

03/07/07

O super rock, a super bock, o mp3, o percurso a pé e o autocarro ou vice-versa

UM CONCERTO: PETER MURPHY, NO COLISEU DOS RECREIOS (20/10/1995)

A esta hora já os meus companheiros de blog se divertem, digo eu, no primeiro dia do 2º acto do SBSR. Estão lá hoje, vão lá estar amanhã e vamos lá estar na quinta. Não resisti, é verdade. Se soubesse que algumas das bandas presentes iriam estar em Lisboa brevemente, pensava duas vezes. Preferia vê-los em concerto normal, é um facto, mas gosto de festivais. Ir a um festival é como se, em vez de irmos ver um filme a um cinema onde sabemos que as pessoas são civilizadas, optamos por ir ao Colombo ou às Amoreiras. A única diferença é que, decididamente, não frequento estes cinemas...Os festivais têm muitos inconvenientes: os milhares de pessoas que vão só porque vão, as multidões (que não gosto), as conversas do lado quando estamos a tentar concentrar-nos num concerto, os empurrões e as pessoas a passar-nos à frente, a confusão na entrada, na saída, nas necessidades fisiológicas (incluindo a comida e a bebida)...este é o último a que vou, digo sempre. Sou um mentiroso. Um fraco. Mas não estou com inveja de quem lá está, e é por isso que vou vibrar na quinta-feira com os TV on The Radio e os Interpol, e é por isso que gostava de ver Arcade Fire, LCD Soundsystem e The Rapture, revisitar os Jesus and Mary Chain, rever Maximo Park, etc.. Mas não estou com inveja, vou só ali buscar uma super bock e de quem é a vez de ir buscar agora cerveja?

Uma das exigências do novo emprego foi que largasse o carro e passasse a andar, de novo, de transportes públicos. Nada que me incomode. Não há muito tempo, ia de transportes para o trabalho e gostava, porque no trajecto podia fazer uma das coisas que mais gosto: ler. O problema, agora, é que quase metade do percurso é feito a pé. Ou seja, não dá muito jeito ler a andar, por isso troquei a leitura pelo mp3 (obrigado, miúda). E assim, nos últimos dias, tenho ouvido com atenção álbuns na íntegra, o que não sucedia há algum tempo. Esta semana, vá lá saber-se porquê, peguei na curta discografia dos TV on The Radio. Conhecia muito bem "Desperate Youth, Blood Thirsty Babes", que comprei mal foi editado em Portugal, em 2004. "Return to Cookie Mountain", também já me era familiar, mas não tanto. E, pelo caminho, algumas raridades. Até quinta.

24/06/07

Silver Jews e o mundo de David Berman

UM ÁLBUM: A RIVER AIN’T TOO MUCH TO LOVE – SMOG (2005)

Foi ontem projectado na Esplanada do Chapitô o filme “Silver Jew”, de Michael Truly. Faltei, por só hoje ter tido conhecimento. Não precisava deste pretexto para pegar na obra dos Silver Jews, até porque, pelo que li, não é pelo filme que se fica a saber o que quer que seja sobre a banda.

Os Pavement foram criados em 1990. Um ano antes, dois dos seus membros, Stephen Malkmus e Bob Nastanovich, formaram os Silver Jews, juntamente com um colega de universidade, o poeta David Berman. Com a edição do primeiro álbum dos Pavement, “Slanted and Enchanted” (nome inspirado num cartoon criado por David Berman), Malkmus dedicou-se, com sucesso, ao seu novo projecto, enquanto Berman transformava os Silver Jews num mundo seu. O segundo álbum, “The Natural Bridge” (1996), já não contou com a colaboração dos membros dos Pavement, ao contrário do que tinha sido planeado por Berman.

A história dos Silver Jews confunde-se com a especificidade e inspiração das letras e da música criada por David Berman. Mas confunde-se também, e muito, com o seu repertório de depressões e adição às drogas. Viveu, durante algum tempo, num estado quase miserável, e tentou suicidar-se há cerca de três anos. Perante este cenário, o regresso com o admirável “Tanglewood Numbers”, em 2005, foi surpreendente. “Punks in the beerlight” faz parte de um dos melhores discos que ouvi nos últimos anos.



Para além dos dois álbuns que referi, a discografia dos Silver Jews comporta ainda:

. The Arizona Record (EP – 1993)
. Starlite Walker (1994)
. American Water (1998, de novo com a contribuição de Stephen Malkmus)
. Bright Flight (2001)
. Tennessee (EP – 2001, com a participação de Cassie, a mulher de Berman)

Em “Tanglewwod numbers”, David Berman conseguiu reunir, para além da sua mulher, nomes como Malkmus, Nastanovich e o Sr. Will Oldham. Mas o mais extraordinário deste regresso foi o facto de, pela primeira vez na vida, os Silver Jews terem entrado em digressão. Nos muito intermitentes quinze anos de existência, os concertos dados contavam-se quase pelos dedos das mãos. A semi-inaptidão de David Berman para as actuações ao vivo é bem notória neste registo, gravado em Abril de 2006. “Trains across the sea”, de “Starlite Walker”, é uma das minhas músicas preferidas da década passada.



“Silver Jew” documenta, essencialmente, os passos de David Berman durante os dois dias em que a digressão da banda passa por Israel. Transcrevo o que foi escrito no Ípsilon, a propósito, na sexta-feira: “...vale por isso, pelas conversas com os fãs no final dos concertos, pelo abraço de Berman aos fãs, pelo seu choro quando lê uma oração junto ao Muro das Lamentações, por pormenores mínimos e desligados entre si, de uma humanidade tão minúscula mas premente que parecem impossíveis num «indie-rock-star» e só o são porque o sr. Berman não é deste mundo”. Para mim, felizmente, ainda é.

23/06/07

Discos que adoro Odiar I

Como tenho de trabalhar ao sábado e não gosto, aproveito para fazer as maiores inutilidades.

Lembrei-me de desafiar o meu colega bloguista para o seguinte:
Já que falamos tanto da música que gostamos, porque não falar daquela que não gostamos.

Começo então por aquela perolazinha que me ofereceu o meu tio, num aniversário qualquer:

Guilty - Barbara Streisand e Barry Gibb

Na altura não tinha o ouvido muito apurado, mas quando desembrulhei a prenda (é claro que era um disco)deparo-me com uma capa com 2 saloios de branco agarradinhos um ao outro.
Ele cabelinho à fodasse e de barba aparada, ela com a trunfa esgrenhada.
Nunca decidi qual dos 2 era mais horrível.
Para não fazer a desfeita ao meu tio ponho aquilo a tocar.
Levo logo com a musiquinha de elevador (espero nunca ficar fechado num a ouvir isto).
Tudo bem...Mas de repente eles começam a cantar.
Conheço esta vozinha de qualquer lado....
...Ah já sei é o gajo dos Beegees. Coitado, a gaja deve tê-lo apanhado sozinho no elevador e como ele não quis sexo, ela obrigou-o a fazer uns duetos.
Não posso falar muito da Barbara Streisand, parece que é famosa na américa e que fez uns filmes (não sei se envolviam cavalos).
Os Beegees até oiço se estiver bêbado o suficiente (sinto-me o travolta na disco).
Basicamente onde quero chegar é que o disco não é mau...É Péssimo.
Aconselho só a gajos que queiram impressionar mulheres mais velhas(mas dêem-lhes muito álcool antes de porem o disco a tocar).

Quero aproveitar para agradecer ao meu tio que para além de me ter arranjado os dentes estes anos todos(é dentista), me deu a conhecer o 1º disco que odiei.

Tomem lá os pombinhos em acção

O REI (ou quem é que manda aqui)

(UM DISCO: O DOS TRAVÕES)

Aqui o meu colega bloguista, aproveitando a minha falta de criatividade, tem tomado (e bem) conta da baiuca.

Pois bem, VOLTEI!

Com uma grande ressaca mas voltei.
E vamos por mão nisto, senão isto não se endireita...

Se havia coisa que eu gostava em puto era dos filmes que passavam na RTP à tarde.
Maior parte desses filmes eram de colheita americana dos anos 50 e 60.
Havia o Jack lemmon, o Jerry Lewis, o Tony curtis e mais uma data deles que agora não me ocorrem.

Foi nessa altura, entre o almoço e o "Gonçalo tens de ir fazer os trabalhos de casa!"
Que descobri o Elvis.

Se Havia filmes que eu gostava eram os do Elvis....

Têm de admitir, o gajo era o maior!
Não sei muito da vida dele, mas naqueles filmes descobri como é que um gajo podia ir parar à prisão, como é que se davam saltos encarpados duma rocha de 20 m para o mar no Havai,o que era Las Vegas, como se engatam gajas com pinta, o que era um cadillac e principalmente o que era o rock'n'roll.

O Elvis era e é o Rock em pessoa (Sim eu sei que era uma treta como actor).

Aqui há uns meses vi um documetário no biography channel intitulado "Elvis e as Drogas".
Fiquei parvo como o gajo viveu os últimos anos da vida dele.
Pelo que percebi o senhor tomava comprimidos para dormir, comprimidos para estar acordado, comprimidos para cima, comprimidos para baixo.
Ainda por cima parece que tinha quem lhos receitasse em praticamente todos os estados da américa do norte.
Dizia um médico no tal documentário: "Ninguém lhos recusava - Ele era o Rei!".

Acabou mal: Overdose.

Gosto de imaginar que se cá andasse estaria agora a gravar albúns produzidos pelo Rick Rubin como fez o Johnny Cash.

Hoje dei por mim a ver videos dele no youtube e lembrei-me que não escrevia nada no blog há alguns meses.
Pois bem aqui estou de novo a escrever este post inútil, mas acho que no meio de tanta banda "alternativia" fazia falta um gajo lembrar-se de quando era criança e de quando só haviam 2 canais de televisão e nem havia sequer o VHS e que o rock e a música já nos estavam no pelo.

20/06/07

Surdices do passado: Felt

UM ÁLBUM: TIGERMILK – BELLE AND SEBASTIAN (1995)

Os Felt invadiram-me os ouvidos na segunda parte da década de 80. A esta, nunca será necessário associar-lhe o século. Será, eternamente, a década de 80. Um pouco à semelhança de Lawrence, o grande mentor da banda, a quem nunca foi preciso associar o apelido (Hayward).

Nasceram em Birmingham, em 1979. Para além de Lawrence, o único membro que permaneceu na banda desde o início (apesar de não ser mencionado no primeiro álbum) foi Gary Ainge, o baterista. Ao longo de 10 anos, lançaram 10 álbuns:

. Climbing the antiseptic beauty (1981)
. The splendour of fear (1984)
. The strange idols pattern and other short stories (1984)
. Ignite the seven cannons (1985)
. Let the snakes crinkle their heads to death (1986)
. Forever breathes the lonely word (1986)
. Poem of the river (1987)
. The pictorial Jackson review (1988)
. Train above the city (1988)
. Me and a monkey on the moon (1989)

O único video oficial é “A declaration” (Live in concert, London, February 1987). A propósito, passaram pela Aula Magna nesse mesmo ano e eu não fui ver. Não só porque ainda não ia a concertos, mas também porque não estava familiarizado com a banda. Tive o prazer de conhecê-los mais ou menos por essa altura. Estavam perdidos no meio daquelas carradas de discos que surgiam lá por casa. Já escrevi sobre isso. O álbum chamava-se “Forever Breathes the Lonely Word”. Agarrei-o e agarrei os Felt, e continuo a sentir um prazer indescritível em ouvi-los.

São, também eles, e apesar de pouco mencionados, uma referência inquestionável em muita da música que hoje ouvimos.

Separaram-se em 1989 e Lawrence prosseguiu a sua carreira nos Denim e, mais recentemente, nos Go-Kart Mozart.

“Stained-glass windows in the sky” faz parte de “Poem of the River”.

15/06/07

Quando os fornecedores falham

UM ÁLBUM: DESCENDED LIKE VULTURES – ROGUE WAVE (2005)

Há uma semana atrás, estava entre o ir e o não ir. Confesso: quando os meus fornecedores de bilhetes falham, sou um verdadeiro pelintra. Deito-me a fazer contas à vida e pondero em demasia. As excepções são muitas, felizmente, porque adoro concertos. À falta deles, os ouvidos enferrujam-se. Por isso, quando quero ver, compro o bilhete, mesmo que não tenha dinheiro. Suborno alguém para mo comprar, faço beicinho, choradinho, de coitadinho, amuo e atiro-me para o chão. Tento esgotar todas as possibilidades. Uma vergonha.

Para o dia de sábado, no Festival Alive, ninguém se chegou à frente. Uma vergonha, também.

Mas como o “deslarga-me” também ia, respirei fundo e lá adquiri o bilhete, sem grande convicção, porque este não era dos imprescindíveis.

Hoje, a frio, estou entre o gostei e o não gostei.

Aos White Stripes preferia vê-los em concerto isolado. Não me desiludiram, mas foi curto, como o é quase sempre em festivais. Tocaram algumas músicas que não estava à espera de ouvir, só achei o final um bocado previsível. De qualquer forma, um bom concerto.

Não tinha expectativas para o regresso dos Smashing Pumpkins; antes pelo contrário. Seria diferente se soubesse que, em palco, iria estar a banda original. Fiquei surpeendido quando reparei no guitarrista, que tinha algumas semelhanças físicas com James Iha e na baixista, isso mesmo, uma baixista, porque assim até parecemos os Smashing Pumpkins de sempre. Tudo um bocado forçado, digo eu. O som estava mau, mas até soube bem ouvir alguns temas, principalmente o “set” acústico de Billy Corgan com “rocket”, “to sheila” e “tonight tonight”. De resto, senti-me pouco entusiasmado e pensei algumas vezes no concerto da praça de touros de Cascais. Já lá vão mais de 10 anos. Para o lançamento de “Zeitgeist“, ainda menos expectativas.

Do que estava mesmo a gostar era do concerto dos The Go! Team, que largámos a meio para ir assistir ao dos Smashing Pumkins. Uma pena...Irradiam, ao vivo, toda aquela onda de boa disposição que se sente ao ouvir “Thunder, Lightning, Strike”, de 2004.

Formados em Brighton, Inglaterra, têm uma base de 6 elementos, destacando-se as duas baterias e a vocalista, Ninja. Lançaram também o ep “Get it together”, em 2001 e preparam-se para editar um novo álbum, com data prevista de saída a 10 de Setembro. “Grip like a vice” é o primeiro avanço.



E é tudo quanto a festivais, para este ano. Em princípio. Para o ano logo se vê.

PS: Os And You Will Know us By The Trail of Dead tocam no Sudoeste…os Of Montreal também. Aumenta o rol de nomes apetecíveis, mas serão compreendidos?

10/06/07

My girl's birthday

UM CONCERTO: TIM BOOTH, NO SUDOESTE (08/08/2004)

Há alguns anos, neste dia de Primavera, nascia, fruto de um momento de inspiração de duas pessoas, uma menina. A menina cresceu, e fez-se mulher. Quis o destino que ela se cruzasse comigo. E, a partir daí, nada foi como dantes.

Obrigado por me teres deixado entrar no teu mundo, por partilhares, por me aceitares, por me fazeres acreditar em coisas que eu já tinha esquecido que existiam. A vida sem a tua existência seria bem diferente, para pior. Por isto e por muito mais, envio-te um grande beijinho de parabéns e, correndo o risco de me tornar repetitivo, uma musiquinha com dedicatória.


03/06/07

Estavas lá?

UM ÁLBUM: THE BESNARD LAKES ARE THE DARK HORSE - THE BESNARD LAKES (2007)

Fomos quase os primeiros a chegar ao Santiago Alquimista. Logo aí concluímos que não iria estar muita gente. Apesar de já existirem desde 1993 e de todos os seus álbuns terem sido recebidos com fervor pela crítica, e com razão, os Low parecem ser quase desconhecidos em Portugal.

Quase. Ainda assim, éramos alguns. E no final, deu para tudo. Até para o meu primeiro bilhete autografado. Pelo casal Alan Sparhawk e Mimi Parker. Só faltou o rabisco de Matt Livingston.

Foi um dos concertos mais bonitos a que assisti. Porque as canções dos Low são isso mesmo, bonitas. No final, quando tocavam Over the Ocean, pensei em ti. Farias anos hoje. Correu-me uma lágrima, que só tu sentiste. Estavas lá, não estavas?

Ao irmão de sangue

UM CONCERTO: EDITORS, NO SBSR (07/06/2006)

Vamos lá ver se me lembro. Numa daquelas raras noites de copos, que quase sempre acabavam em minha casa com ainda mais copos, desabafos e conversa, e música claro, que é outra conversa, resolvemos fazer um pacto de sangue. Não sei qual era o teor do pacto, mas nessa noite tornámo-nos irmãos de sangue. Andávamos a ver muitos filmes.

E aquele filme até podia ser desnecessário. Se há amizade que tenho a certeza que perdura para sempre é a nossa. E que dizer da banda sonora deste filme?

Os festivais, sempre com aventuras; o ccl, as cassetes na grafonola, litradas e guitarradas no campo de jogos e a kananga do Japão; os Fields of The Nephilim na viagem para o Algarve, o Bar do Xico e mais guitarradas; o quarto na Morais Soares e a aparelhagem de um lado para o outro; o metal em tua casa e os Ramones do murdoque murdaluco; no Bairro Alto, o naif, o sudoeste, o telmos, o clandestino; o café bagdabre; os sumáááááários da professora de história, porque aquilo era quase música, como música eram as aulas da professora Isabel Silva; o Tóquio e o Até ao Fim; os fins de ano; os bailes da escola.

Os caracóis; as minhas birras; as futeboladas na praia; a vala da costa; a noite da Níni, porque ela é um pouco tua; algumas, muito poucas, bebedeiras…

Inesquecível também aquela noite na costa, em que, munido de um ferro, desataste a matar uma série de poças de lama. Acabámo-la na esquadra, para onde fomos confortavelmente transportados por dois carros da bófia.



E muito mais para contar nestes quase 20 anos.

Como sabes, nunca posso esquecer o dia do teu aniversário. Por ti e por outra pessoa muito especial. Como tu.

Este é o dia em que, todos os anos, deixo de ser um ano mais velho. Parabéns.

01/06/07

E os Festivais que se lixem

UM ÁLBUM: IT´S A FEEDELITY AFFAIR – LINDSTROM (2006)

Este ano não vou ser festivaleiro. Naquele que será, talvez, o melhor ano de sempre para os festivaleiros que gostam de música. Subitamente, quando já tinha tudo programado para me dedicar, pelo menos, ao SBSR, com férias marcadas e tudo, eis que surge um novo emprego. Férias, nem vê-las. Festivais, nem ouvi-los.

Foram duas semanas intensas, que nem me permitiram vir até aqui…

Será um sinal? Afinal, eu é que já tenho idade para ter juízo. Juízo? Não ouvi bem, continuo um pouco surdo, e no próximo sábado, é quase certo, lá estarei para ouver o “casal” Meg & Jack White (pela primeira vez), os Srs. Billy Corgan, Jimmy Chamberlain e os seus novos amigos (pela terceira vez), e os The Go-Team.

E eis também o dia que anuncia a ida dos The National ao Sudoeste…a banda que mais me enche os ouvidos por estes dias. Boxer é um álbum de eleição. Mistaken for stranger é apenas um exemplo do quão viciante se pode tornar um disco…com Alligator aconteceu-me o mesmo.



Lentamente, o Festival Sudoeste começa também a aliciar: se pudesse, ia até lá para ver o regresso dos James, para rever, com muito prazer, Editors, e para ver, pela primeira vez, outros nomes que gosto: I’m from Barcelona, Camera Obscura, Noisettes, Ojos de Brujo, Bonde do Role, Patrick Wolf, The Streets, Air Traffic e Sondre Lerche. Para acalmar mais uma vez com os Koop. Para apreciar os Balla. E, claro, para vibrar com The National.

Eles que já passaram por Paredes Coura. Também ia até lá, ao melhor festival do país, pela primeira vez. New York Dolls, Architecture in Helsinki, Sunshine Underground, Cansei de Ser Sexy e uns tais de Sonic Youth. E muito por anunciar.

Mas não posso. O que posso, com toda a certeza, é ir até ao Santiago Alquimista amanhã. Lá estarei com os Low. Um momento aguardado há alguns meses.

P.S. Gostei do concerto de Bloc Party de há duas semanas. Só isso. Não chegou, ainda, para pegar novamente no segundo álbum. Prefiro recordar alguns temas de Silent Alarm. Decididamente, não é por eles que tenho pena por não ir ao SBSR…

18/05/07

É sexta, véspera de casamento, dia de concerto, fim do teu tormento

UM CONCERTO: THE SMASHING PUMPKINS, NA PRAÇA DE TOUROS DE CASCAIS (02/05/1996)

Amanhã, casa-se um punk. Não um punk qualquer. Um punk que nunca foi punk, mas que continua a sê-lo. Um companheiro de andanças musicais, há quase duas décadas, responsável por alguns dos gostos que ainda mantenho. Mantemos. E, para além de ser um dos meus melhores amigos, é também o dono do meu sobrinho. Desta vez tenho a certeza que vais ser feliz. Pelas vezes que não foste da outra, e por muitas mais.


“A weekend in the city”, segundo álbum dos Bloc Party, tocou-me aos ouvidos, mas, ao contrário de “Silent alarm”, não entrou. Ficou lá fora e não voltei a dar-lhe muita atenção, o que não quer dizer que, quando houver uma vaga, não mereça uma segunda oportunidade. Talvez amanhã, depois do concerto de logo à noite no Coliseu dos Recreios.

Concerto número dois, para mim e para o meu sócio, desde que aqui começámos a gatafunhar. Os bilhetes são cortesia do outro sócio, colaborador invisível deste blog, que por motivos profissionais não se pode deslocar à capital.


E a esta hora já contas os minutos que faltam. Foram só quinze dias, mas sabemos que te custaram. Afinal, não posso ir buscar-te ao aeroporto. Se ainda fores a tempo, guarda o “find the river”, dos R.E.M., na tua bagagem de mão. Vai fazer-te companhia durante a viagem…

16/05/07

I’ll dive for your memory

UM ÁLBUM: THE GLASGOW SCHOOL – ORANGE JUICE (1984, REEDITADO EM 2005)

Planeara revisitá-lo a 6 de Maio, dia do primeiro aniversário da sua morte. Os meus ouvidos distraíram-se e ocuparam-se de outros assuntos. Não há problema. As datas de qualquer morte não fariam mal em desaparecer do meu calendário.

Grant Mclennan morreu durante o sono, de ataque cardíaco, na sua casa em Brisbane, na Austrália. Tinha 48 anos. Pouco tempo depois, o outro fundador e compositor dos The Go-Betweens, Robert Forster, anunciou a inevitável morte da banda.

Foi em Brisbane, na Austrália, que nasceram, renasceram e duas vezes morreram os The Go-Betweens. Quando o fim foi anunciado, em 1989, poucos pensaram num hipotético regresso. Talvez mais tarde, como fazem outros, talvez mais tarde se juntassem para dar uns concertos…

Nunca vi os The Go-Betweens ao vivo. Um grande lapso na minha colecção de bilhetes. Oportunidades não faltaram. Actuaram em Portugal algumas vezes. Acreditei que voltassem, como se a Austrália estivesse a um passo. Eis uma regra para os concertos de quem gosto: nunca pensar que os vejo da próxima vez que cá vierem. Posso ter que esperar até não ter idade.

Após a separação da banda, Grant Mclennan colaborou nalguns projectos e lançou quatro álbuns a solo:

Watershed (1991)
Fireboy (1994)
Horsebraker star (1995)
In your bright ray (1997)

Surpreendentemente, os The Go-Betweens regressaram, e em grande forma. Reencontraram-se em 2000 para editar “The friends of Rachel Worth” (2000), “Bright yellow, bright orange” (2003) e o excelente “Oceans apart” (2005).

Começaram em 1977. O primeiro álbum, semi-oficial (reeditado em 2002), intitulou-se Very Quick On The Eye. Seguiram-se-lhe:

Send me a lullaby (1982)
Before Hollywood (1983)
Spring hill fair (1984)
Liberty Belle and the Black Diamond Express (1986)
Tallulah (1987)
16 Lovers lane (1988)

“Bye bye pride” faz parte de “Tallulah”:



Pelo meio, algumas compilações e um The Peel Sessions EP, em 1988.

Há uns tempos atrás não seria impossível chocar com Grant Mclennan numa rua de Brisbane. Hoje choca-se com a sua memória. O que não é pouco.

P:S. “Dive for your memory” é a última música de 16 lovers lane.

11/05/07

É sexta, e quando sair daqui vou cortar o cabelo

UM ÁLBUM: HISSING FAUNA, ARE YOU THE DESTROYER? – OF MONTREAL (2007)

É uma decisão que não interessa a ninguém e, pensando bem, não sei se estou assim tão precisado. Foi mais um pretexto para relembrar os Pavement, que ainda não tinham aparecido neste blog. Vão aparecer mais vezes. Não é uma falha, porque aqui quase só escrevo sobre o que gosto e os nomes surgem aleatoriamente. E, numa altura em que tantas bandas se reagrupam para ganhar uns trocos, estes senhores também podiam fazer o jeitinho.

04/05/07

This one’s for you

UM CONCERTO: NEW ORDER, NO SUPER BOCK SUPER ROCK (28/05/2005), E HOJE FOI CADA UM À SUA VIDA

Nos meus ouvidos existe um armazém onde músicas como esta não se desgastam nem envelhecem. Estão associadas a pessoas especiais e de vez em quando vou lá buscá-las. Depois reponho-as nas prateleiras, com muito cuidado, e assim se conservam para sempre. “This one’s for you” é de Ed Harcourt, é um pouco minha e é um pouco tua.



São só 15 dias e Bona até tem um nome parecido com Lisbonne (é uma private joke a fazer lembrar o vosso francês perfeito). Vais ver que não dói. Daqui a bocado já te vamos buscar ao aeroporto.

26/04/07

Wimbledon 26499

UMA MÚSICA: SILENT AIR – THE SOUND

Manhã de domingo de 26 de Abril de 1999. O dia acabava de acordar. Um homem atira-se para a frente de um comboio na estação de metro de Wimbledon, em Londres. Perdia-se uma vida. Provavelmente uma vida desconhecida para os que lá estavam, mas não para mim. Nem para milhares de desconhecidos, como eu.

Adrian Borland estava a terminar as gravações do álbum “Harmony and Destruction”. Mostrava algum entusiamo e orgulho na gravação deste disco, que sucederia a “5:00”, editado em 1997. No entanto, estava doente. A depressão em que vivia há mais de uma década teve o seu epílogo nessa manhã. Durante a madrugada, foi encontrado num restaurante perto de Kennington, confuso, ouvindo vozes...Foi transportado para casa dos pais pela polícia. Voltaria a desaparecer mais tarde, e o resto já se sabe. Tinha 41 anos.

Para além dos referidos discos, e da edição a título póstumo de “The last days of the rain machine” (2002), “Harmony and Destruction” (2002) e do recentíssimo “The Amsterdam Tapes” (2006), Adrian Borland gravou outros álbuns a solo:

Alexandria (1989)
Brittle Heaven (1992)
Beautiful Ammunition (1994)
Cinematic (1995)

Em 1987, criou os Hononulu Mountain Daffodils; o vocalista, ele próprio, tinha o divertido pseudónimo de Joachim Pimento. Saíram, como álbuns oficiais, “Guitars of the oceanic overgrowth” (1987), “Tequilla dementia” (1988) e “Aloha Sayonara” (1991).

Com o projecto White Rose Transmission, de que faziam parte, entre outros, o seu amigo Carlo van Putten e um ilustre admirador da sua obra, Mark Burgess, a quem obrigatoriamente voltarei (ou não se tratasse do líder de uns tais The Chameleons), tinha acabado de lançar “700 miles of desert”, que sucedia a “WRT”, de 1995.

(Enquanto escrevo este texto, aparece-me aos ouvidos Rougue Beauty de “Alexandria”, perdido entre as compilações que me entretêm o tempo...como se eu acreditasse nestas estranhas coincidências)

Estava prevista uma digressão acústica dos White Rose Transmission para Maio de 1999, que, como era óbvio, não poderia realizar-se sem Adrian Borland. Mas realizou-se, em jeito de tributo. Com muitas músicas dos The Sound.

Como alguém disse uma vez, e fixei estas palavras, a mais famosa banda desconhecida de todos os tempos. Os The Sound são uma das minhas três bandas de sempre (as outras duas ficam para mais daqui a bocado). Não foram, são. Significam-me muito, pela música e pelas letras.

“From the lions mouth”, de 1981, é a minha melhor receita de sempre para a surdez. “Propaganda” (sessão de estúdio de 1979, editado em 1999), “Jeopardy” (1980) e “All fall down” (1982) impedem o seu avanço, se ouvidos, pelo menos, duas vezes por mês. “Shock of daylight”, EP de 1984, é o vinil que os meus ouvidos mais veneram. “Heads and hearts” (1985) revitaliza o ouvido direito, “Thunder up” (1987) apura o ouvido esquerdo. As vitaminas devem ser tomadas em doses pouco moderadas: “In the hothouse” (1986), “The BBC recordings” e os cinco volumes das “Dutch radio recordings”. Tenho quase todos os medicamentos cá em casa e nenhum está fora de prazo. A audição exagerada é aconselhável e não existem contra-indicações.

Graham Green, Michael Dudley, Benita “Bi” Marshall, substituída em 1981 por Colvin “Max” Mayers (desaparecido em 1993), são os outros nomes dos The Sound. No início de uma digressão, em 1987, começaram a surgir os primeiros (ou os últimos?) sintomas da doença de Adrian Borland. A digressão foi cancelada. A banda dissolveu-se.

Em “sense of purpose”, de “From the lions mouth”, escreveu: “I’ll take my life into my own hands…I’m the one that I will blame”.



Em Setembro deste ano, quando for a Londres pela primeira vez, vou parar na estação de Wimbledon. Não vou pôr flores. Não vou ter pressa. Não vou dizer nada, porque o silêncio, eu sei, fala mais alto do que as palavras. Vou esperar, apenas, pelo próximo comboio.

P.S. - Os The Sound tocaram em Lisboa, no Rock Rendez Vous, a 12 e 13 de Julho de 1984. Existem alguns videos de Adrian Borland e dos The Sound disponíveis no youtube.

21/04/07

Antes que a tarde de sábado seja de noite

UM ÁLBUM: BRETT ANDERSON - BRETT ANDERSON (2007)

Gosto das soalheiras tardes de sábado sem planos. E de saber que o tempo que passa não é da minha conta. De quase congelar uma cerveja para as goelas descongelarem. De abrir o livro na página em que o marquei ontem, sabendo que daqui a umas horas se fecha na mesma página. De ouvir "saturday night", dos Suede, que até me cai melhor antes da queda da noite.

18/04/07

...And you will know us by the trail of dead

UM ÁLBUM: PEASANTS, PIGS & ASTRONAUTS – KULA SHAKER (1999)

Se as capas dos álbuns vendessem, seriam quase de certeza um caso de sucesso. São todas excelentes, inclusive as dos ep’s. Têm a autoria de Conrad Kelly e um colaborador seu de longa data, James Olsen. No entanto, não me seduziram pelas capas, mas sim pela música. Deles pouco se fala. Fizeram de propósito. Escolheram um nome que custa pronunciar e que ocupa espaço.

Acompanho, com quase devoção, os …And You Will Know us By The Trail of Dead desde que comprei “Madonna”, em 1999. Seguramente não sou o único e outros reconhecem no citado álbum e em “Source, Tags & Codes” (2002) duas das grandes obras da música independente dos últimos tempos. Another morning stoner é uma das melhores músicas de sempre a alcançar-me os ouvidos.


Austin, que já visitei neste blog, é a cidade que os viu nascer. Conrad Keely e Jason Reece são os líderes da banda: alternam a voz, a guitarra e a bateria, nos discos e nos concertos. O primeiro álbum, homónimo, foi editado em 1998. Em Abril de 2003 surge o EP “The Secret of Elena’s Tomb”.

O tema “mistakes & regrets” faz parte de “Source, Tags & Codes” e aqui interpretam-no ao vivo num concerto em Graceland, em 2006.







“World’s Apart”, de 2005 e “So Divided” de 2006 não são de fácil digestão para quem conhece a discografia anterior do grupo. Neste último, a diferença de sonoridade é notória e recebe críticas bem menos favoráveis. Não é que desgoste, mas também prefiro os primeiros álbuns.

Aliás, “So Divided” coincide com o aparecimento de rumores que apontavam para a dissolução. O título do álbum também não parecia inocente. Contudo, Conrad Kelly descansa-nos com um texto publicado no site oficial:

“I've been getting a lot of people asking me are the rumors true, is ...Trail of Dead going to break up? Yes, it's true, the band will break up, eventually. Unless they can find a drug that will keep us alive forever, like the one Keith Richards takes (I believe you have to snort dead people's ashes). Are we breaking up anytime soon? No. Sorry to disappoint you. That means, for all those people who've asked for our autographs, they won't be worth anything for a long time yet, so keep your day job.”

Afinal, eles vivem.

14/04/07

O verdadeiro Artista Espacial

Uma Triologia: Star Wars (Ep.IV a VI)

E que a foça esteja convosco no fim de semana.

12/04/07

Teach me how to fight

UM ÁLBUM: UNIVERSAL AUDIO - THE DELGADOS (2004)

Apetece-me muito não escrever sobre este tema do primeiro álbum dos Junior Boys. Por um instante, não quero estar um pouco surdo para ficar um pouco mudo.

11/04/07

Hoje transformei-te em música

UM CONCERTO: GOLDFRAPP, NO COLISEU DOS RECREIOS (08/06/2003)



Desta vez comecei pelo fim. Com a música a que te quero associar. Porque “utopia” é uma das poucas canções que não me arrepia apenas os ouvidos. Arrepia-me o corpo todo e os corpos circundantes.

Estive para escolher uma das versões ao vivo disponíveis no youtube, mas melhor do que o original, só aquela que ouvimos no concerto do Coliseu. O meu irmão arranjou dois bilhetes e à última hora não pôde ir. Ou algo parecido. O bilhete a mais voou-me para as mãos e lá rumámos os dois a Goldfrapp. Para um camarote, claro, porque somos finos quando não compramos convites para concertos. Este foi especial, seria pela companhia?

É verdade que não nos vemos com muita frequência. Falamos em FM (Frequência Moderada). Não há pressas nem obrigações. Admiro-te sempre pela frescura que preservas, pela atitude e pelo sorriso. Isto não é uma declaração de amor (antes que me chames tarado)…é uma declaração de amizade, que assinámos há muitos anos, e tem duração vitalícia. Parabéns e até já, numa esplanada à beira-rio.

06/04/07

Mais um surdo que nem uma porta

UM ÁLBUM: ELASTICA - ELASTICA (1995)

A partir de hoje, o blog tem mais um surdo. Hã? Um surdo. Tem um histórico suspeito, em termos musicais. Mas dispõe de tantos conhecimentos como os outros dois surdos. Ou seja, nenhuns. Estamos a tentar melhorar. Mais vale sermos surdos e fingirmos que ouvimos boa música, do que manetas e não conseguirmos pôr um cd no leitor. Fico à espera do teu post sobre Motorhead. És muito bem-vindo.

Lodos de quinta-feira

UMA MÚSICA: A MAN NEEDS TO BE TOLD - THE CHARLATANS

Ainda estou a recuperar. A idade pesa uns gramas e os dias de trabalho não toleram noitadas como dantes. Pensando bem, nunca toleraram. Os Cansei de Ser Sexy não tocaram até às 4 da manhã, mas toquei eu. Curiosamente, o primeiro concerto dos surdos deste blog, desde que o criaram, foi o da banda que lhe deu o nome. E gostámos muito, pois gostámos. Foi estreia em grande, que merecia mais um copo. Portanto, tivemos que prolongar a noite. O retomar de um bom velho mau hábito. Assim mesmo. Eu e o meu amigo JB (por acaso, até nem gosto de whisky) fomos impelidos a ficar na conversa até às tantas. A isso ainda nos obriga a cerveja. Num passado quase distante, obrigou-nos com mais frequência. Calhava quase sempre à quinta-feira. Chamávamos-lhes os lodos de quinta-feira. Eram uma armadilha. Uma festa até ao momento em que acabavam, um quase pesadelo quando o dia de trabalho acordava. O concerto não foi na quinta-feira, mas, como hoje é feriado, foi como se tivesse sido. E não é que este lodo me soube bem? Estamos em forma, graças aos Cansei de Ser Sexy.

P.S. Obrigado pelo bilhete, carneiro

05/04/07

LOVEFOXXX

CANSEI DE SER SEXY - Lux - 4 de Abril de 2007

Ontem voltei ao Lux.

Acho que foi o bilhete para um concerto que comprei com maior antecedência na minha vida (acho que por volta de Janeiro).
Queria vê-las, ouvi-las e sentir que não era só imaginação minha.
Para mim, as CSS foram a banda mais boa onda de 2006 e ontem estive só a alguns metros delas. Eu estava "superafim" de vê-las ao vivo.
Adorei.

Lovefoxxx é realmente uma rock'n'roll Bitch (Desculpa lá Peaches mas perdeste o lugar. Esta miúda bate-te aos pontos)!
Como é que uma mulher tão pequenina tem tanta energia?
Só foi pena não terem tocado o Bezzi e o superafim, mas tocaram uma cover de Pretend Were Dead das L7 que me fez bater o pézinho.
Antes tocaram as Tilly & the wall, banda que achei deveras original.
Estão assim entre a Heidi e o Fred Astaire.
Gostei principlmente da moça que sapateava. Fartou-se de dar pulinhos e encheu-me a vista.

A Gerência agradece.

Momento alto da noite foi o reencontro do fumado com seus amigos bebidos.

A Seguir ao concerto ainda deu direito a uma ou duas bejecas em casa do Rui, na companhia deste e do Jorge.
Rui, gostei muito de ter conhecido a tua casa e embora não tenha estado contigo durante o concerto, foi um final de noite 5 estrelas.

Jorge, Bem-vindo ao blog.

Não se cansem de ser sexys...

03/04/07

Charles & Peters Cafe

UM CONCERTO: THE PSYCHEDELIC FURS, NO COLISEU DOS RECREIOS (21/09/1991)

Não consigo precisar a idade que tinha quando aquele disco apareceu lá em casa. Talvez tu te recordes melhor do que eu. Pediste ao tio que te trouxesse de Nova Iorque, entre outros, o “Power, corruption and lies”, dos New Order. As minhas preferências musicais começaram a moldar-se por aí. Continuo a ouvir New Order, mas esse álbum, de 1983, é diferente e significa muito mais do que o meu simples gosto por uma banda. Na altura, era eu um puto novo, não imaginava a ligação que tinham com os Joy Division. Fui crescendo e aprendendo, muito mais sobre Joy Division, um pouco menos sobre New Order.

Tempos houve em que chegavas a casa e eu olhava para as tuas mãos. Se estivesse já a dormir, acordava. E se não me levantasse na altura, a primeira coisa que fazia de manhã era vasculhar o saco que trazias. O que procurava eu? Discos, claro. Todas as semanas. Por vezes às carradas. Vindos de um certo lugar. E, assim, fui fazendo as minhas escolhas. No fundo, acabaste por ser tu a alimentar-me o vício. Foste o portador do vírus. Que não me criem uma vacina, porque com esta doença convivo bem, obrigado. E, claro, este obrigado é para ti.

Que me ocorra, nunca assistimos a um concerto juntos. Nunca fizemos muita coisa juntos. Tivemos alguns desatinos, umas discussões, por causa dos nossos feitios diferentes, qual deles o mais especial de corrida. Nada de muito grave. Podemos até não ter, ainda, a melhor relação entre irmãos que existe, mas somos bons amigos. Dúvidas sobre isso? Nenhumas. E dúvidas não tenho que amigos nos manteremos. Estão proibidas mais confusões nesta família.

Para além de ti, existe o outro sócio deste bar. A maior parte das capas de vinil que me percorrem a memória auditiva, têm a mesma proveniência. O tal certo lugar que referi há pouco. Alguns dos discos ouviam-se muito na altura. Outros nem por isso. Era nesses, principalmente, que me fixava. “Sonic flower groove" e nunca os Primal Scream soaram tão diferentes, como ainda tentam soar a cada álbum que fazem. "The greatest story ever told", dos Balaam & The Angel, tão inesquecível que não o encontro em lado nenhum, e os acordes de "slowdown" intrometem-se-me de novo nos ouvidos. Os maxi-singles..."bring on the dancing horses" dos Echo & The Bunnymen, "books on the bonfire" dos Bolshoi, "uncertain smile" dos The The, "idol" dos Flesh For Lulu, "this corrosion" dos Sisters of Mercy...os Lp's, inumeráveis...Na noite de 24 de Dezembro de de mil novecentos e qualquer coisa, o pai natal trouxe uma aparelhagem da moda para pôr na sala. Açambarquei-a logo, e ali fiquei a ouvir os "meus" discos durante quase toda a noite. Ouvi "Darklands" dos The Jesus and Mary Chain umas duas ou vinte vezes seguidas. Era novidade. Mais tarde, o dono do certo lugar começou a gravar-me cassetes de música esquisita, com passagens entre cada música e tudo, era o melhor DJ lá da zona. Formou-se então a minha paixão pelas compilações, que ainda dura, pois dura. O DJ foi-se dedicando a outras músicas, embora, aqui e ali, continuasse a ser requisistado. Aqui, na Costa da Caparica, naquele fim de ano de caixão à cova, enchendo a pista de dança de uma vivenda com o melhor som, mas só até uma determinada hora, porque depois disso já não me lembro de nada. Ali, no moinho em Torres Vedras, alguns anos depois, o "1979" dos Smashing Pumpkins e uma cadeira a pregar-me uma rasteira. Os copos partem-se, mas a música continua, e continua, e continua...

Parabéns aos dois, obrigado por me terem deixado inventar este espaço. O Charles & Peters Cafe abriu há mais de 20 anos, mas a inauguração fica para amanhã. A primeira música a rodar será "your silent face". A meu pedido...

30/03/07

Os meus ouvidos encerram temporariamente para descanso do pessoal

UMA MÚSICA: C'MON, C'MON – THE VON BONDIES

Pego nas bicicletas do post anterior, e vou ver se a minha ainda está na arrecadação…Receio que tenha fugido. Recebi algumas ameaças nos últimos dias. Porque não fiz nada de mal. Permiti que o meu carro fosse assaltado, e agora estou a pagar por isso…Assaltaram-me também a mente. Parece-me que esta semana esteve toda às avessas. Ou então foi a minha cabeça. Que agora está confusa. Hoje não quero ouvir mais música. Já tinha desligado a televisão. Agora desligo a aparelhagem. Desligo o computador. Desligo-me.

The Frames

UM ÁLBUM: NEON GOLDEN - THE NOTWIST (2003)

Está um senhor de óculos escuros e blusão e calças de cabedal a gemer na televisão. Mudo rapidamente de canal. De repente, a maior exportação musical irlandesa desperta-me sentimentos de aversão. A mistura dos três últimos álbuns com a exposição maciça e sistemática dos membros da banda, e dos seus êxitos, acabou por enjoar-me os ouvidos. E estes, mesmo que pouco exigentes, têm dificuldade em tolerar exageros. Gosto de U2? Não sei. Já gostei. Amanhã volto a gostar. Ou talvez não.

Mas os ventos que sopram da Irlanda não trazem apenas U2, embora às vezes pareça que sim.

Por agora, gosto muito de coisas como os The Frames, que também nasceram em Dublin. The cost vai ser, provavelmente, um dos melhores álbuns esquecidos deste ano, apesar de ter sido editado na Irlanda em Setembro de 2006. Para o resto do mundo saiu em Fevereiro de 2007.

A banda existe desde 1990, e o nome provem de um hábito que o vocalista, Glen Hansard, tinha quando era novo: reparar as bicicletas de muitos dos seus amigos. O seu quintal enchia-se de quadros de bicicletas, e a casa onde morava passou a ser conhecida por “The frames house”.

Antes de The cost, editaram os seguintes álbuns:

Another love song (1991) - apenas disponível para download no itunes e para audição no site da banda, que está mesmo aqui ao lado.
Fitzcarraldo (1995) e uma nova versão do mesmo álbum em 1996, ambos publicados sob o “pseudónimo” de The Frames DC, que adoptaram temporariamente, para evitar confusões com uma banda americana que tinha o mesmo nome.
Dance the devil (1999)
For the birds (2001)
Burn the maps (2004)

Lançaram também dois álbuns ao vivo. Fitzcarraldo e The Cost são os que prefiro. Mas o resto vale-me a pena. “Headlong” faz parte de For the birds:



Aqui interpretam ao vivo “keepsake”, de Burn the Maps:



O homem dos óculos escuros aparece noutro canal. Procuro o botão off do comando. Às vezes os sons e as imagens da minha televisão são mais agradáveis quando ela está desligada.

29/03/07

No cars Go

UM CONCERTO? UM QUALQUER, DE CABEÇA CHEIA COM O RUI E COM O JORGE (PUTA DE SAUDADES)

Querido Blog. Voltei!

Ontem recebi uma carta do Banco.
O Empréstimo da puta da casa aumentou cerca de 100€.
O Emprego, continua no mesmo sítio, a mesma merda, o mesmo ordenado.
Os Putos têm saúde. A companheira continua chata. Eu continuo sem pacência.
O País continua na mesma, mas está pior.
O Cão continua feliz quando chego a casa.

FODAM-SE VOCÊS TODOS!!! TOU FARTO!!!

Quero ir para este lugar onde não vão carros....

25/03/07

Austin, 2008

UM CONCERTO: DEVENDRA BANHART, NA AULA MAGNA (12/11/2005)

A cobertura da Radar ao South by Southwest deste ano aguçou-me o apetite. Este festival realiza-se em Março, todos os anos, desde 1987, e põe Austin em festa. Não se trata exclusivamente de um evento de música, mas é de música que aqui se trata. Este ano registaram-se mais de 1400 actuações ao vivo, entre artistas já consagrados, alguns a despontar e vários desconhecidos, muitos deles oriundos de países diferentes. Para os que adquirem bilhetes, é uma oportunidade de assistir de perto a inúmeros concertos.

Não resisto à colagem de alguns momentos da edição deste ano. Quem parece que mais deu nas vistas, por razões óbvias, foi a vocalista dos norte-americanos The Gossip, Beth Ditto. Surpreendeu o público com um strip quase integral. As imagens estão disponíveis no you tube, mas como a qualidade não é grande coisa, fica um excerto de outra actuação dos The Gossip no mesmo festival.



No ano que marca o regresso dos The Stooges, com The weirdness, que já cá canta, Iggy Pop continua igual a si próprio.



E, finalmente, os Architecture in Helsinki com “do the whirlwind”:



E houve muito, muito mais.

Vou ponderar a possibilidade de passar por lá no próximo ano. Estive para voltar ao Texas este ano, mas em princípio a hipótese está posta de parte. Alojamento em Austin é garantido. Regresso ao verão de 1993. Passei uma boa temporada em San Antonio, que deu para quase tudo, até para tirar a carta de condução. O tempo que lá permaneci dava para conhecer o Texas e os arredores e os arredores dos arredores. Infelizmente, não conheci Austin, que por acaso até é a capital do estado.

Tenho motivos para lá voltar. E agora tenho mais um. Vou procurar o meu chapéu de cowboy. Austin aqui vou eu.

22/03/07

O padrinho do meu afilhado é um gajo desnaturado

UMA MÚSICA: YOU'RE SO GREAT - BLUR

Pois é. Acima de tudo, é um padrinho despadrinhado. Mas olha miúdo, daqui a uns dias, quando souberes ler bem, pede ao outro surdo deste blog, que, pelo que consta, também é teu pai, para te mostrar o rol de disparates que por aqui se escrevem. Depois, podes chegar à inevitável conclusão: mas estes gajos só ouvem música esquisita? Ou fingem que ouvem, porque estão meio surdos, os coitados. E é aí que eu te mostro os discos do Bana e Flapi, da Heidi e da Abelha Maia, para tu veres que nem sempre foi assim. Antes da insanidade, existiu uma infância mais ou menos normal. Ou seja, a seguires alguns passos destes senhores, segue apenas os primeiros.

O que não quer dizer que não tenhas bom senso. Opta por um meio termo. Aprende a tocar guitarra como o indíviduo do video. Parabéns Vicente, amigo, o padrinho está contigo.

20/03/07

A vida e um toque de telemóvel

UMA MÚSICA: ONE THOUSAND REASONS - THE SOUND

É estranha, a música que me quer acordar de manhã. É seca, e julga-se infalível. É impessoal e pouco transmissível. É uma música que pensa que é música, a convencida. E não é, não passa de um toque. Se gosto dela? Nem por isso. Só não a destruo porque me dá gozo vencê-la na luta que travamos todos os dias. E sim, ganho quase sempre. Antecipo-me e não a deixo expressar-se. Nos últimos tempos, não raras vezes, antecipo-me com demasiada antecedência. Não é redundância, é o vazio de uma verdade, é o tempo a passar e a chamar-me à atenção. E, como hoje, o tempo concede-me tempo para ir pensando noutras músicas. Aquelas que nunca ouvi, mas gostava de ter ouvido. Não são originais, são versões de temas que nunca ninguém inventou. E só não fui eu a inventá-los porque ainda não sou inventor. E só não fui eu a escrevê-los porque ainda não sou escritor. E, como ainda não sou compositor, também não pude compô-los. E muito menos tocá-los, porque ainda não sou músico. A derrota de um toque de telemóvel podia ser mais do que aquilo que é. Amanhã, ao saborear uma nova vitória, vou pensar nisso.

16/03/07

É sexta, e depois?

UM ÁLBUM: RUSSIAN DOLL - VIOLET INDIANA (2004)

Ó Gonçalo, se alguém perguntar por mim, estou aqui mas fugi.

13/03/07

Low

UM CONCERTO: THE FALL, NO INCRÍVEL ALMADENSE (A 18 DEZEMBRO DE UM ANO QUALQUER, O BILHETE NÃO DIZ O ANO E EU JÁ NÃO ME LEMBRO. TALVEZ 1993. A PRIMEIRA PARTE FOI DOS MORE REPÚBLICA MASÓNICA)

Há pessoas que têm alguns rituais, quando chegam ao emprego: tomam um café, conversam um pouco com os colegas, dão uma vista de olhos pelas notícias, olham pela janela para ver se o tempo não mudou desde que chegaram…Tudo serve como aquecimento para um longo e árduo dia de trabalho. Muitos não passam do aquecimento.

Eu cá também tenho um ritual quando chego. Espero que os meus patrões não leiam este blog (descansem senhores, que não demoro mais do que 15 minutos a aquecer). E assim se fica também a saber que não sou um saudável e próspero empresário. Todos os dias, quando me sento na cadeira, o cursor do rato transporta-me sempre para os mesmos sítios…mesmo que eu hoje não queira. E pronto, por causa do meu rato endiabrado, lá sou obrigado a saber o que se passa no meu mundo da música.

E hoje li uma notícia verdadeiramente importante: os Low actuam no Santiago Alquimista a 2 de Junho.

Ao que parece, passam por cá um ou dois dias depois de actuarem no Primavera Sound, em Barcelona.

A notícia surge precisamente no mesmo mês em que é editado o novo álbum, Drums & Guns.

Dos Low, possuo os álbuns Trust (2002) e The Great Destroyer (2004), este último já o mencionei num post anterior. A atenção que lhes dei é tardia, pois já cá andam desde 1993. Para além dos referidos álbuns, lançaram:

I could live in a hope (1994)
Long Division (1995)
Transmission – Ep (1996)
The curtain hits the cast (1996)
Songs for a dead pilot (1997)
Secret name (1999)
Christmas (1999)
Things we love in the fire (2001)

Vêm de Duluth, no Minesota (E.U.A.). Alan Sparhawk (voz e guitarra) e Mimi Parker (voz e bateria), estão casados. Matt Livingston (voz e baixo) é o outro elemento da banda. São, quanto a mim, um dos grupos mais brilhantes dos últimos anos.

Não ouvi ainda Drums & Guns na totalidade, porque os meus ouvidos andam meio surdos. Mas o que ouvi promete um dos melhores álbuns do ano, se bem que não goste muito do conceito “melhores do ano”. O desenvolvimento deste não gosto fica para um dia destes. Entretanto, aqui ficam dois exemplos que explicam por que é tão bom ouvir os Low. Do novo álbum, “murderer”.



E igualmente de Drums & Guns, “in silence”.



Depois do aquecimento, lá tenho que trabalhar um bocado. Só assim consigo ter dinheiro para comprar uns cd’s. Para pagar a Internet. Para ir a uns concertos. Dia 2 de Junho lá estarei.

09/03/07

Surdices do passado: X-Mal Deutschland

UM CONCERTO: PEACHES, NO LUX (26/12/2003)

Os meus ouvidos recordaram-se hoje dos X-Mal Deutschland. Recuo até 1980, ano em que se formaram em Hamburgo, na Alemanha, onde no início não tiveram grande sucesso. Abriram alguns concertos dos Cocteau Twins no Reino Unido, o que lhes valeu um contrato com a 4AD, e em 1983 editaram Fetisch, talvez o melhor dos seus quatro álbuns. “Orient” era um dos temas do lp…



Foi nos idos tempos da Juke Box que os X-Mal Deutschland me perfuraram os ouvidos. Os primeiros acordes de "incubus succubus", "orient" ou “matador” enchiam a pseudo-pista de pseudo-dança (porque nunca se inventou outro termo para aquilo que fazíamos). O video de "matador", disponível no youtube, aborda um assunto que detesto, por isso não o coloco aqui...nem tudo foi bom na carreira destes senhores. Mas gosto da música e prefiro dissociá-la das imagens. A letra é outra história, que não esta.

“Matador” fazia parte do álbum Viva, de 1987. O álbum anterior, Tocsin, datava de 1984. Em 1989, já com uma formação muito diferente da de Fetisch (apenas restavam a vocalista, Anja Huwe, e o baixista, Wolfgang Ellerbrock), editaram Devils, onde estava incluído “dreamhouse”. Só alguns anos depois soube que este tinha sido o último disco da banda…Nunca deixei de gostar do som dos X-Mal Deutschland. Continuo a ouvi-lo em bandas recentes.

É sexta, e nunca mais dá o toque para a saída...

UMA MÚSICA: A DO VIDEO, UMA DAS MINHAS MÚSICAS DE E PARA SEMPRE

Ó Gonçalo, vamos conhecer umas babies?

04/03/07

O mundo animal (parte 1) – soltam-se morcegos, cães, cavalos, tigres, crocodilos, ratos e ratazanas

UM ÁLBUM: FOREVER BREATHES THE LONELY WORD – FELT ( 1986)

Foi em Melbourn, na Austrália, que um dia nasceram os The Birthday Party. Uma festa iniciada em 1977, com um prelúdio chamado The Boys Next Door. Da formação dos The Birthday Party faziam parte uns tais Nicholas Edward Cave e Michael John Harvey e no ano de 1983 receberam o auxílio do Sr. Blixa Bargled. Nessa altura, começaram a ser lançadas as sementes para um novo e conhecido projecto, cujo início coincidiria praticamente com a separação dos The Birthday Party, em 1984. Os álbuns Prayers on fire (1981) e Junkyard (1982) são essenciais. O tema “release the bats” foi originalmente incluído como bónus nalgumas edições de Prayers on Fire. Em 1982, no Hacienda, os morcegos despertaram.



Fui tentar saber o que era feito dos Dogs Die in Hot Cars. Porque grande parte das bandas que ultimamente editam um primeiro álbum com algum reconhecimento, não demoram muito mais do que um, dois anos no máximo, a gravar o segundo álbum. Muitas delas acabam por desiludir, é um tema já muito batido. Mas provavelmente o segundo álbum destes escoceses não vai sequer iludir. Nem a mim nem a ninguém. Não foi fácil obter notícias. Lê-se que as músicas para o segundo álbum estavam quase prontas em meados de 2006. Depois disso, apenas se encontram rumores de separação, ainda sem confirmação oficial. É pena. Please Describe Yourself, de 2004, deverá ficar sem herdeiro.



Separados estão já os Sixteen Horsepower, banda de Denver (E.U.A.) formada por David Eugene Edwards e Pascal Humbert em 1992. Comprei o álbum Folklore em 2002. Fui logo à procura de mais. Com quatro álbuns originais, fecharam as portas em 2005. David Eugene Edwards dedica-se agora ao seu projecto Woven Hand. Também gosto, mas do que sinto mesmo a falta é de um novo álbum dos Sixteen Horsepower. “Sinnerman”, de Folklore, interpretado ao vivo, arrepia-me os ouvidos.



Continuo na senda das separações. Os norte-americanos Le Tigre também se cansaram de 8 anos de actividade. Romperam no ano passado, sem anúncio oficial. Deixam no testamento os álbuns Le Tigre (1999), Feminist Seepstakes (2001) e This Islands (2004), e eu agradeço. Deixam também um video deliciosamente idiota para um grande tema, “deceptacon”.



Os The National não acabaram, felizmente. Boxer é editado a 22 de Maio nos Estados Unidos. Não podem antecipar isso? Alligator, de 2005, foi o terceiro álbum da banda de Nova Iorque. Estou a ouvi-lo agora, ainda não o tinha ouvido hoje…

Vão tocar na Europa depois do lançamento do álbum, provavelmente em vários festivais. Gostava muito que passassem por cá. Há uns tempos, tocaram “lit up” em casa de alguém:



Já ouvi também o novo álbum dos Modest Mouse, We were dead before the ship even sank. È o quinto, desde que se formaram em Washington, no ano de 1993. O som é diferente, mas gostei. Os Modest Mouse têm um reforço de peso, e esse facto parece ser mais importante para muita gente do que o próprio disco em si. É compreensível. Johnny Marr faz parte da história da música. E isso vende camisolas…talvez o próximo álbum já não seja visto como “o segundo disco dos Modest Mouse com Johnny Marr”.



Tenho uma ratazana nos ouvidos há mais de dois anos, e não há cotonete que a remova: regresso aos The Walkmen para ouver “the rat”, candidata a melhor música da minha década.

01/03/07

Magia Negra

O Senhor dá pelo nome de Pop Levi.
O Álbum chama-se "The Return To Form Black Magick Party".
O "Glam" voltou.

Este gajo está possuido...


On fire

UM ÁLBUM: SOUVLAKI – SLOWDIVE (1993)

Reza a lenda que todas as paredes se desmoronaram em Coura no dia 17 de Agosto de 2005. Ao que parece, foi mais ou menos assim:



A vila ainda hoje está a recuperar, e outros cataclismos se adivinham, desta vez mais a sul. A 3 de Julho, as águas do Tejo vão agitar-se e o leito vai transbordar. O palco vai arder. A salvação estará na nova bíblia que estes senhores vão trazer na bagagem. Bem hajam.

24/02/07

Procuram-se, mortos ou vivos

UMA MÚSICA: DRY THE RAIN – THE BETA BAND

A propósito dos 20 anos que ontem passaram desde a morte de Zeca Afonso, penso na caixa de discos, que é agora reeditada em cd, com algumas das suas melhores músicas. Zeca Afonso fica para mais tarde, parece que alguns jornais se lembraram dele hoje. Da dita caixa, resta-me o livro com a letra das músicas, que guardei para tentar interpretá-las com a guitarra. Mas onde está o resto? Estará já com o Gonçalo, a quem a caixa pertencia?

Uma pergunta que me desperta outra pergunta. É também um apelo desesperado, agora que me recordo disso. Onde raio estarão os meus discos de vinil????? Olho em redor, a casa não é grande, e não os vejo. Com tantos cd’s a preencherem as estantes, será que estão lá atrás? Procuro e não estão. Sei que vendi alguns na Freira da Ladra. Muitos sobreviveram. Várias dezenas…a memória não me engana e pelos ouvidos passam-me imagens das capas: Heads and Hearts e Shock of daylight - The Sound; It’ll end in tears – This Mortail Coil; Spleen and ideal – Dead Can Dance; Tender prey e From her to eternity – Nick Cave & The Bad Seeds; L’eau rouge, The Young Gods e Play kurt weill – The Young Gods; Should the world fail to fall apart e Love Hysteria – Peter Murphy; Mister heartbreak – Laurie Anderson; Pressure pointes – Anne Clark; The trinity session – Cowboy Junkies; Victorialand – Cocteau Twins; Nirvana – Nevermind; Thin White Rope – Sack full of silver…

E muitos outros. É uma amostra. Não me lembro bem quanto custavam, mas sei que gastei muito dinheiro em discos. Estão foragidos. Peço ajuda. Se alguém os encontrar, agradeço que contacte este blog. Começo a investigar.

Há uns dias encontrei, em casa da minha irmã: Lifes rich pageant - R.E.M.; La folie – The Stranglers; Campolide e Canto da Boca – Sérgio Godinho. Uups, acho que os dois últimos são do Gonçalo. A suspeita sobre a minha irmã acaba aqui. Diz que não tem mais nada e acredito nela.

Viro-me então para outras direcções. Tenho que revolver a casa dos meus pais. Quero o FBI e a Scotland Yard ao meu serviço. Entretanto, a Interpol também se mete ao barulho:

22/02/07

Road to Nowhere

Onde é que estou?
Para onde vou?
Será que estou bem?
Será que não estou?
Por onde é o caminho?
Por lado nenhum?

I'm from barcelona

UM ÁLBUM: THE GREAT DESTROYER – LOW (2005)

É mentira, apesar de por lá ter andado há uns dias. Mas estes também não são e dizem que são. “We’re from Barcelona”, dos suecos I’m from Barcelona, um dos temas mais contagiantes de 2006 e um álbum que deixei entrar quando me bateu à porta dos ouvidos: “Let me introduce my friends”.

15/02/07

Ela quer vingança

UM CONCERTO: ANNE CLARK, NO TEATRO DE SÃO LUIZ (09/06/1993)

Não sei se o operário cantava quando tinha boa voz, mas emprestava a sua casa para concertos e um dia pediu aos Young Gods para passarem por lá. Lembras-te? Foi em Outubro de 1992. Conhecemo-nos lá para os lados desse ano. Passámos juntos umas férias culturais, embora alguém lhes atribuísse outro nome, e eu fiquei técnico daquilo e tu também não, porque enquanto eu só interrompi as férias por uns meses, tu resolveste interrompê-las definitivamente.

Quando as férias acabaram, o operário calou-se. Ou eu já estava meio surdo e nunca mais o ouvi. No final distribuíram diplomas e eu ganhei um prémio extra, que ainda hoje guardo com muito orgulho: a tua amizade.

Contigo descobri que gostávamos muito de música. Eu de umas coisas, tu de outras, e ambos das mesmas coisas. Ensinaste-me o David Bowie. Aperfeiçoaste-me os Talking Heads. Contagiaste-me os Dead can Dance. Gravaste-me cassetes, algumas com dedicatórias, que ainda estão legíveis.

Nos primeiros tempos saíamos de vez em quando e íamos até ao Bairro Alto. Ao Naif ou ao que aparecesse, desde que a música convidasse. Mais tarde mudámos de planos. As noites ficavam mais agradáveis se terminassem no nº 24 da Mouzinho de Albuquerque com umas cervejas e um copo de whisky e a música de fundo escolhida por nós.

De vez em quando procuramos um concerto. E quando o encontramos não o perdemos de vista.

Hoje, enquanto fazes anos, lembra-te que a garrafa de whisky ainda lá está.

Estas são para ti:








P.S. Já te vingaste dos senhores?

14/02/07

You've Got Good Taste

The Cramps



No final dos anos oitenta, todas as quartas feiras e sábados ia às matinés.
Não estou a falar de cinema.
Regra geral, era ao Central Park que o pessoal da Luisa de Gusmão ia parar.
O Central e aqui o meu amigo Rui foram, em muito, os responsáveis pelo meu gosto por música.
Talvez tenha sido lá o meu 1º contacto com bandas como os Bauhaus, Joy Division, the Clash, entre outras que já me esqueci e muitas que ainda hoje adoro.
Grande Companheiro desses tempos era o meu amigo Pipocas.
O Pipocas era novo lá na escola, mas eu já o conhecia da infância, do Lisboa Ginásio e da Igreja dos Anjos.
O Pipocas tinha uma poupa e usava doc martens. Eu na altura já sabia para que serviam as mortalhas.
Basicamente, juntou-se a fome com a vontade de comer.
Certa tarde, o Pipocas desafiou-me para uma matiné diferente; A da JUKEBOX no Bairro Alto.
Eu já conhecia o Bairro Alto, mas nunca lá tinha ido de tarde.
Depois de uns abafados nas PRIMAS, e de umas ganzas pelo caminho, descemos a Rua Diário de Notícias e chegámos então ao local.
Ainda hoje não tenho palavras para o que senti quando entrei naquela casa escura.
À Direita o bar, à esquerda uma bancada, ao fundo a pista com a fauna mais estranha que eu alguma vez tinha visto na vida...
Eles eram Punks, Skins, Góticos, Psychos e o diabo a quatro...
A música (e é onde quero chegar), era diferente da que passava no Central Park... Mais Agressiva, mais estranha.
Com a pedra que já trazia e com a que apanhei lá dentro (acho que não vou falar da escada para a casa de banho), dei por mim aos pulos e aos pontapés no meio da pista e a chatear o pipocas questionando-o sobre as músicas que passavam.

No meio de tanta xinfrineira , o jovem que tocava os discos pôs algo como eu nunca tinha ouvido.
Um Rock'n'roll à antiga, mas tocado de uma forma completamente passada. O vocalista, com a sua voz de cão com o cio gritou:

- You've Got Good Taste!!!

Aquilo eram os extraterrestres a tentar comunicar(a moca deu-me para isso).
Lux Interior e Poison Ivy, vim eu mais tarde a saber. Aquilo era o Som que me faltava na tola.
O Verdadeiro Rock&roll... e ali estava eu, a espernear e é claro a levar pontapés e empurrões de todo o lado.

A Matiné acabou, a moca também, os Cramps trouxe-os comigo...até hoje.
Gosto de os ouvir principalmente se estou naquele estado de espirito em que me apetece partir tudo.
E mesmo que não tenha, eles hão-de sempre fazer com que eu sinta que tenho um certo good taste....

Um videozito dos amigos para saberem como é....

13/02/07

Another one goes by

UM ÁLBUM: FALL BACK OPEN - NOW IT'S OVERHEAD (2004)

Em 2006 dei por mim a ouvir mais covers do que o habitual. Se calhar porque foi um ano de boa colheita. Ou se calhar porque nunca coloquei a questão em termos de anos...as covers são pouco datáveis, normalmente queremos é saber de que ano e de quem é o original.

Entre muitas músicas que ouvi (e provavelmente muitas que perdi), destaco o excelente álbum de tributo a Serge Gainsbourg, "Monsieur Gainsbourg: revisited"; versões excelentes, quase sem excepção, ou nem fossem os originais o que são...

Penso que o segundo álbum dos Nouvelle Vague, "Bande a part", não superou o primeiro. Pessoalmente, reservou-me uma grande surpresa: a inclusão (na edição europeia) de uma agradável versão de "Escape myself", dos The Sound. São uma das "minhas" bandas, talvez "a banda". Pela minha parte, serão uma referência constante neste blog, assim como Adrian Borland e a sua carreira a solo e nos White Rose Transmission. Gostei também de outras versões de "Bande a part", mas no geral concordo com a maior parte das críticas que li em relação ao álbum, o efeito novidade (que já em si não o era assim tanto), desvaneceu-se um pouco. Segundo percebi, o projecto Nouvelle Vague contempla ainda mais um álbum, e não é por isso que vou ficar mais surdo.

Depois houve "Mercy mercy me", repartido pelos Strokes, Eddie Vedder e Josh Homme. Não conhecia o original, de Marvin Gaye (1971), mas não me canso de ouvir esta versão.

E houve muitas mais, de certeza.

Quem definitivamente não me ensurdece desde que o Gonçalo me gravou há dois anos o álbum "Bows & Arrows", de 2004, são os The Walkmen. "Another one goes by" é uma das grandes músicas que ouvi nos últimos tempos, independentemente de se tratar de uma versão. Para mais, de um tema muito recente.

É um original dos Mazarin, banda de Philadelphia, incluído no álbum de 2004, "We're already there". Apesar de já ter ouvido alguns temas, nunca tinha dado muita atenção. Os Mazarin estrearam-se em 2000 com "Watch it happen" e prosseguiram em 2001 com "A tall tale story line".

A versão de "Another one goes by" é a 12ª música de um dos grandes álbuns de 2006, "A hundred miles off", e presumo que foi com ela que os The Walkmen se estrearam na Radar. Foi uma estreia perfeita.

A seguir, mais uma das "minhas" bandas: The Chameleons - Don't Fall

12/02/07

09/02/07

Um amigo que me dá música

UM CONCERTO: BLUR, NO COLISEU DOS RECREIOS (5/11/2003)

No sentido literal. Muita música. Não tanta agora, porque nos facilitaram a vida. Compramos menos, partilhamos menos, gravamos menos…Há uns dias, algures em anos passados, ia a tua casa, escolhia umas novidades e tu gravavas. Agora não é preciso, obrigado. E daí não sei. Para a semana é que é.

Falamos de tudo, de vez em quando falamos de nada e lá no meio do tudo ou nada aparece invariavelmente a pergunta: o que andas a ouvir? Porque o que ouvimos afasta-nos, nem que sejam três ou quatro minutos, do que por momentos não nos interessa pensar. Ou falar. Ou ouvir…

Já lá vão uns anos, amigo. Felizmente medimos o tempo em anos musicais e esses são mais lentos. Assim não envelhecemos depressa. Nem queremos. Ainda por cima, há muitos concertos para ver. E uma grande amizade a manter.

Obrigado por me dares música há 20 anos.

Parabéns.

P.S. Já mendigaste bilhetes para algum dos concertos dos Nine Inch Nails? O primeiro é já amanhã…

Calla

UMA MÚSICA: HEY NOW NOW - THE CLOUD ROOM

A 20 de Fevereiro é editado "Strenght in Numbers", um dos álbuns que aguardo com mais expectativa para este ano.

O álbum com que se tornaram um pouco mais divulgados, "Televise", de 2003, encheu-me as medidas quando o ouvi (comprei-o um pouco às escuras, como muitos, conhecendo apenas dois temas). "Collisions", de 2005, é viciante.

Antes de "Televise", os Calla estrearam-se em 1999 com "Calla" (reeditado em 2003), a que se seguiu "Scavengers" em 2001.

Formaram-se em Nova Iorque em 1997.

Espero devorar "Strenght in Numbers" como o fiz com os dois álbuns anteriores...